Eugênio Bucci - presidente da Radiobrás:

Eugênio Bucci - presidente da Radiobrás:

Atualizado em 14/11/2005 às 15:11, por Thaís Naldoni/Redação Portal IMPRENSA.

Eugênio Bucci - presidente da Radiobrás :

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No último dia 26 de outubro, a Fenaj comemorou a volta da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da função, após anos de disputas jurídicas. Mesmo com a vitória, a polêmica em torno do tema ainda está longe acabar, haja visto que a obrigatoriedade não é unânime nem mesmo entre os próprios coleguinhas.

Um dos jornalistas que se coloca contra é Eugênio Bucci - ex-Abril, Folha de S.Paulo , O Estado de S.Paulo e Jornal do Brasil - e atual presidente da Radiobrás. Embora concorde que o diploma ajudou na profissionalização da profissão, Bucci garante: "temos inúmeros grandes jornalistas que não têm diploma". Acompanhe.

IMPRENSA - O que o senhor acha da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista?
Bucci -
Um jornalista, para ser jornalista, não precisa ter diploma. Nós temos inúmeros grandes jornalistas que não têm. É possível ser jornalista sem.
A maior parte dos países não exige diploma de jornalista. Na realidade concreta do Brasil, no entanto, o diploma ajudou a profissionalizar o mercado e a elevar o nível das redações, garantindo um piso salarial, entre outros.

"Jornalista não precisa de diploma"


IMPRENSA - A Fenaj conquistou na justiça, recentemente, a volta da obrigatoriedade do diploma e agora promete lutar pelo Conselho Federal de Jornalistas. O senhor acredita ser importante um Conselho Profissional?
Bucci -
Eu acho que existência de um conselho da profissão deve passar por definições prévias e uma das mais importantes é a separação da profissão de assessor de imprensa e de jornalista, que são profissões diferentes. Eu não acredito em um Conselho da Profissão de Jornalistas que reúna, sob um mesmo código de ética e sob um mesmo estatuto, essas duas atividades, que são diferentes. Isso é uma premissa.
Não há problema você ter um Conselho Profissional, uma ordem, um instituto. Dependendo da maneira como for feito, pode até ser útil. Mas essas premissas devem ser resolvidas e, a mais importante é separar o que faz o jornalista, do que faz o assessor de imprensa. Teríamos que ter duas ordens.

"A pior baixaria que pode haver na TV é a censura"


IMPRENSA - O Senado norte-americano tem se preocupado com a questão do excesso do uso de palavrões na mídia. No Brasil, há o ranking da baixaria. Qual a sua opinião sobre estes movimentos?
Bucci -
O ranking da baixaria foi visto como um movimento moralista e, se assim fosse, eu seria contra. No Brasil, quando se fala em baixaria, fala-se em desrespeito a direitos fundamentais. Um movimento pode ajudar a alertar a sociedade para este tipo de coisa, mas jamais deve pleitear que essas coisas sejam censuradas. A pior baixaria que pode acontecer na televisão brasileira é a censura.

Veja a íntegra da entrevista na edição nº 208 de IMPRENSA