Entrevista: Augusto Rodrigues, diretor de Comunicação da CPFL Energia, fala sobre as atividades do Espaço Cultural CPFL

Entrevista: Augusto Rodrigues, diretor de Comunicação da CPFL Energia, fala sobre as atividades do Espaço Cultural CPFL

Atualizado em 20/03/2007 às 16:03, por Karina Padial/Redação Revista IMPRENSA.

Entrevista : Augusto Rodrigues, diretor de Comunicação da CPFL Energia, fala sobre as atividades do Espaço Cultural CPFL

Por Desde 2003, o Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) promove debates culturais, em espaço batizado de Espaço Cultural CPFL. Neste ano, a programação irá se concentrar em temas como a violência urbana, as mudanças climáticas e a insuficiência das instituições frente aos problemas da contemporaneidade.

Para falar mais sobre o Espaço e o tema de 2007, IMPRENSA ouviu Augusto Rodrigues, diretor de Comunicação da CPFL. Acompanhe.


IMPRENSA - A idéia do Espaço Cultural foi, desde o início, trabalhar com as questões de paradigmas do novo século, das transformações do mundo contemporâneo?
Augusto Rodrigues -
Em 2003, achamos que precisávamos tratar questões do mundo contemporâneo, refleti-las através de atividades culturais e artísticas. Isso porque percebemos que os nossos funcionários estavam tendo dificuldades de entender o mundo e que estavam vivendo. Achávamos que tínhamos que fazer projetos maiores e isso originou o Espaço Cultural. Precisamos discutir temas como a insuficiência das instituições políticas, violência e sustentabilidade. Nós alinhamos nosso programa de responsabilidade social a essas discussões.

Uma pesquisa que realizamos com o Vox Populi , junto a nossos clientes, mostrou que eles estavam preocupados com esses problemas que estavam atingindo diretamente eles. Pensamos o que nós podíamos articular para discutir isso.

IMPRENSA - Como foi transformar as palestras em um programa de TV?
Rodrigues -
Em 2004, a TV Cultura foi procurar a gente para transformar as palestras em programa de televisão. Na época o Jorge Cunha Lima era o presidente da Fundação Padre Anchieta. E os programas iam ser transmitidos no sábado e domingo.

No início nós não mudamos a estrutura para gravar os programas. Do jeito que eles aconteciam eles eram gravados, só inserimos três câmeras. Com o passar do tempo a TV Cultura foi mostrando para a gente que precisaríamos mudar algumas coisas como iluminação, cenário. E daí, fomos adaptando o programa para a televisão para atingirmos um público diferenciado, mais abrangente. E agora gravamos praticamente em um estúdio. A Cultura está mais satisfeita e nós também.

Nós temos três programas sendo exibidos, mas o de maior audiência é o Café Filosófico que estava sendo transmitido às 22h30 e agora passou para às 22h no domingo. Ele é gravado lá no espaço na 6ª feira às 19h e trata sobre psicanálise, comportamento, entre outros temas.

IMPRENSA - E esses programas foram gravados em DVD?
Rodrigues -
Todas as palestras que são realizadas são transformadas em DVD. Já temos cerca de 150 editados, que são vendidos pela "Cultura Marcas" e no Espaço Cultural. Inclusive ganhamos recentemente o prêmio da ABCA - Academia Brasileira de Críticos de Arte - pelo melhor programa de música erudita.

IMPRENSA - Como você explica o fato de o Espaço Cultural ter se consolidado
como um pólo de debate para leigos?
Rodrigues -
Nós discutimos, analisamos e avaliamos sociologia contemporânea, psicanálise contemporânea, arte, música, teatro, cinema contemporâneos. Vivemos na sociedade da informação, somos assediados monstruosamente por informação. Nosso objetivo é organizar essas informações de maneira qualificada para os leigos. Uma informação diferenciada que misture conhecimento e arte, mas que sempre esteja contextualizada para que o público possa entender e relacionar a questões do seu dia-a-dia. É por isso, porque debatemos questões como violência, meio ambiente, comportamento, que o leigo se aproxima.

O local do saber é a universidade, mas ela está fragmentada e para o leigo entrar em contato com essas informações ele precisa entrar em contato com vários setores como isso não é fácil, buscamos a interdisciplinaridade no nosso espaço.

IMPRENSA - Esse sucesso se dá em parte pela participação nos debates, palestras e curadorias de nomes importante nas áreas abordadas?
Rodrigues -
Nós buscamos acima de tudo disponibilizar qualidade para nosso público. E, por isso, procuramos sempre especialistas nos assuntos que vamos abordar. Por exemplo, se vamos discutir aquecimento global, vamos atrás da pessoa que tem mais conhecimento nessa área no Brasil, nesse caso chamamos o Carlos Nobre, pesquisador do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Nesse sentido, criamos as curadorias culturais, quando vamos debater um assunto chamamos esse especialista e ele que vai dirigir as mesas, etc.

IMPRENSA - Em 2005, o Espaço tratou do papel do jornalismo no debate público e na consolidação da democracia, vocês pretendem discutir esse ano outros assuntos relacionados à mídia?
Rodrigues -
Jornalismo Sitiado foi um ciclo de debates que teve curadoria do Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás e do Sidnei Basile, da Editora Abril. Discutimos nesse módulo como o jornalismo está lidando com a tecnologia, com a Internet. Qual vai ser o papel do jornalismo diante dessas mudanças. Eu estou em conversa com o Bucci e com o Basile novamente para darmos uma continuidade ao ciclo e fazermos uma espécie de Jornalismo Sitiado 2.

IMPRENSA - Quais são os projetos para esse ano?
Rodrigues -
Esse ano além da nossa programação normal com os debates, as palestras, os saraus, estamos organizando fóruns sobre violência e educação que durarão alguns dias nos quais discutiremos com instituições resoluções que poderão ser tomadas. No final a nossa intenção é elaborar uma carta com as soluções para que governo e sociedade possam discutir as idéias.

O que queremos é assumir um ativismo, uma militância corporativa porque a população está descrente em relação à política e as empresas, neste século, estão com um papel hipertrofiado. Queremos agir como os militantes agiam no passado, organizar a sociedade civil diante de causas.