Diário de Caracas: Quem é quem na mídia venezuelana

Diário de Caracas: Quem é quem na mídia venezuelana

Atualizado em 30/05/2007 às 13:05, por Pedro Venceslau/Redação Revista IMPRENSA.

Diário de Caracas : Quem é quem na mídia venezuelana

Por Foto: Capa do livro "Gustavo Cisneros - Um Empresario Global", de Paulo Bachelet, editora Planeta do Brasil

A relação pendular do presidente Chávez com a mídia de seu país começou com um curto período de lua-de-mel. Durante as eleições de 1998, o coronel candidato foi abertamente apoiado pelos principais grupos de comunicação venezuelanos, com destaque para o jornal El Nacional e para Venevisón, canal do empresário Gustavo Cisneros e detentor da maior audiência do país. "A relação com Chávez começou bem, embora a RCTV tenha apoiado seu opositor, Henrique Salas Romer, que é um democrata cristão. Chávez veio aqui, em nossos estúdios, várias vezes durante a campanha", conta Eduardo Sapene, vice-presidente da RCTV.

Uma vez eleito, Chávez convidou para integrar seu primeiro Ministério alguns jornalistas que, mais tarde, se tornariam inimigos ferozes do regime. Carmem Ramia, esposa de Miguel Enrique Otero, dono do El Nacional , foi a primeira ministra das comunicações de Chávez. Ela ficou apenas um mês no cargo. O clima começou a pesar devido a obsessão do presidente com a TV. "Ele sempre teve o hábito de usar muito a cadeia obrigatória de rádio e TV. Isso começou a irritar os empresários da comunicação. Além disso, o presidente começou a usar essas cadeias para atacar pessoalmente os jornalistas que o criticavam. Esse estilo de Chávez levou a uma polarização cada vez maior", conta Ewald Scharfenberg, diretor-executivo do Instituto Prensa e Sociedad .

Na visão dos chavistas, a guerra entre o primeiro e o quarto poder começou por outro motivo. "Os meios (de comunicação) estavam acostumados a dizer o que os presidentes tinham que fazer. O fato é que Chávez negou-se a ser manipulado. Os grupos de comunicação passaram a ocupar o espaço deixado pelos partidos políticos. A mídia passou a exercer um papel de grupo político organizado", afirma Jesus Romero, presidente da VTV, o principal canal estatal do país.

O clima de tensão foi crescendo até atingir seu ápice em abril de 2002, quando ocorreu o rápido golpe de estado. Em 2004, o plebiscito revocatório - convocado pela oposição e vencido por Chávez - levou a uma mudança radical no espectro midiático venezuelano. Atualmente, Chávez tem a seu lado quatro emissoras públicas de TV - Vive, Telesur, VTV e Tves - um jornal diário de grande tiragem e patrocinado por anúncios do governo - o Vea - além das duas principais emissoras privadas do país - Venevisón e Televen.

Contra Chávez estão posicionados o vespertino Tal Cual , dirigido pelo ex-guerrilheiro e ex-ministro Tedoro Petkoff, os dois diários de maior circulação do país - El Nacional e El Universal , e a Globevisón, canal de notícias a cabo, que ocupou o ligar da RCTV como principal opositor do governo.

Novo amigo

Gustavo Cisneros, dono da Venevisón, foi o maior e mais poderoso inimigo de Chávez. Depois do referendo de 2004, tornou-se o grande aliado do presidente na mídia. A emissora, que teve sua concessão renovada por mais 20 anos, tem ignorado solenemente os protestos de rua contra o fim da concessão da RCTV. Não é por menos. Cisneros herdará a maior parte da fatia publicitária da RCTV, que foi estimada pela revista Producto em US$ 163 milhões em 2007. No campo da mídia impressa, Chávez usa sem pudor seus "petrodólares" para encher de anúncios publicações que defendem seu governo.