De Buenos Aires: imprensa argentina ataca "muro da exclusão" europeu

De Buenos Aires: imprensa argentina ataca "muro da exclusão" europeu

Atualizado em 07/10/2005 às 17:10, por Renato Barreiros e  de Buenos Aires.

De Buenos Aires : imprensa argentina ataca "muro da exclusão" europeu

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Depois de muitas críticas ao tratamento dado pelos norte-americanos aos imigrantes latinos que tentam cruzar a fronteira entre os EUA e o México e ao "imoral" muro de Ariel Sharon, que separa judeus de palestinos, a imprensa argentina centrou sua artilharia na União Européia.

Os jornais argentinos, sem exceção, têm feito uma ampla cobertura dos recentes episódios de repressão dos exércitos espanhol e marroquino aos imigrantes que tentam cruzar a fronteiras com destino ao "paraíso" da União Européia.

Vale lembrar que a Argentina é um país que exporta milhares de imigrantes para a Espanha. Sendo assim, nada mais natural que a repressão aos imigrantes esteja no topo da página.

O Clarín , maior diário argentino, enviou para a zona um correspondente que diariamente narra a tragédia e o sofrimento dos que estão do "outro lado" da fronteira.

O La Nacion , jornal de postura conservadora, publicou na edição desta sexta-feira um contundente artigo da escritora Rosa Montero, extraído do jornal espanhol El País , contra a atitude que os governos do Marrocos e da Espanha tem adotado. Para fechar o texto a escritora diz que a próxima atitude a ser tomada para conter a imigração será "jogar óleo fervendo" sobre os que tentem cruzar o alambrado da exclusão.

A União Européia conta com o governo do Marrocos como seu incondicional aliado para combater a imigração, que vem principalmente da África, e por executar a tarefa de "repressor oficial" receberá um aporte de 60 milhões de Euros dos países que integram a U.E.

As graves atitudes do exército marroquino - que não titubeia em atirar para matar os imigrantes que se lançam para atravessar a fronteira - são tratados com vista grossa pelos governos europeus que, graças aos seu soldado marroquino não precisam manchar as mãos de sangue na repressão

O papel da imprensa é imprescindível na cobertura da tragédia que vem ocorrendo e que com certeza poderia ter dimensões muito maiores se não estivesse sendo acompanhada pela opinião pública mundial.

Tendo em conta que o número de pobres no mundo e na África vem aumentando nos últimos anos e a única solução a curto prazo para que essas pessoas obtenham uma melhora de vida é cruzar as fronteiras rumo aos países desenvolvidos, a imigração para a União Européia não deve diminuir tão cedo, e a pauta do "muro europeu da exclusão" deverá ganhar mais espaço nos próximos anos reabrindo a discussão sobre qual responsabilidade os europeus tem a respeito da calamitosa situação em que se encontram suas ex-colônias.