Curso Abril: Revista Plug traz perfil do jornalista brasileiro

Curso Abril: Revista Plug traz perfil do jornalista brasileiro

Atualizado em 11/06/2007 às 16:06, por Cristiane Prizibisczki/Redação Portal IMPRENSA.

Curso Abril : Revista Plug traz perfil do jornalista brasileiro

Por Jornalistas são pessoas bem vestidas, que têm salários altos e estão sempre à frente das câmeras ou do computador. Se você é jornalista e não se enquadra neste perfil, saiba que é isso o que a população em geral pensa de você.

Estas são algumas das conclusões e percepções sobre o jornalista brasileiro, contidas na Revista Plug , publicação experimental dos alunos do Curso Abril de Jornalismo 2007, lançada nesta segunda-feira (11), às 19h, no Centro Brasileiro Britânico de São Paulo. A publicação traz dados sobre o mercado de jornalismo no Brasil e mostra quem é o jornalista brasileiro, seus hábitos, percepções, motivações, influências e aspirações.

De acordo com Edward Pimenta, editor do curso Abril, a equipe dos jovens jornalistas que realizaram a pesquisa foi assessorada pelo instituto Voltage. Além da consulta em dados do Ministério do Trabalho, da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e do Sindicato de Jornalistas do Estado de São Paulo (SJSP), os jornalistas ainda realizaram pesquisa com a população e profissionais da área.

Entre as técnicas empregadas para a coleta de dados estiveram a "Invasão de Cenário", na qual os participantes do curso passaram 24h com quatro jornalistas para entender seu dia-a-dia, o "Focus Group", no qual vários jornalistas ou pessoas próximas a eles foram colocadas em uma sala e, estimuladas por um mediador, responderam perguntas e falaram sobre a vida do profissional de comunicação, além das "Perguntas de rua", na qual, por meio de um questionário guia, populares respondiam questões como "Quando a palavra é jornalista, que nome te vem à mente?" e "Descreva como você acha que o jornalista é"

O resultado traz dados já esperados, como o crescimento da participação das mulheres no meio e a insatisfação dos jornalistas quanto aos baixos salários. No entanto, outros aspectos geraram surpresa, como número de jornalistas que deixou a boemia para se dedicar aos esportes e o apego à eletrônicos como i-pods e MP3. "A pesquisa mostrou que os novos objetos de desejo dos jornalistas são os eletrônicos que, a julgar pelo salário médio da classe, ele compram a prestações", explica Pimenta.

Outro dado trazido pela Revista Plug é o número de profissionais formados que realmente atuam na área: apenas 12,5% deles. Ainda falando em números, dos 35 mil jornalistas, incluindo assessores, apenas 11 mil possuem carteira assinada, e são unânimes as reclamações sobre a quantidade excessiva de trabalho e os baixos salários.

Porém, apesar do panorama não muito otimista, Pimenta ressalta que os profissionais que estão no mercado são apaixonados pela profissão, o que pode servir de estímulo para os jovens jornalistas. "A pesquisa constatou que, apesar de toda dificuldade, há uma paixão pela profissão e todos foram unânimes em dizer que são jornalistas porque querem", acrescenta.

Um grande mérito da revista, segundo Pimenta, é o seu enfoque qualitativo e não somente focado em estatísticas e dados. "A pesquisa foi feita em 20 dias e isso não prejudicou o andamento dos trabalhos, pelo contrário, os próprios alunos afirmaram que ela foi importante para o curso", diz.

Dados

Além da visão do jornalista sempre bem vestido e com altos salários, a pesquisa traz dados, no mínimo, interessantes, como:


- O perfil das redações está cada vez mais feminino. Em 1995, elas ocupavam 41% das vagas. Dez anos depois, elas totalizam 51%. Dos jornalistas regularizados, elas são 54%. Mas ocupam poucos cargos de chefia e ganham, em média, R$ 500 a menos do que os homens de mesma função;


- Apesar dos baixos salários e da incerteza de emprego, a maioria disse não querer exercer nenhuma outra profissão. Os motivos são diversos, como conhecer lugares inusitados e gente diferente e o dia-a-dia agitado e nada repetitivo;


- As grandes reportagens são o sonho dos jovens jornalistas, apesar do espaço reservado a elas ter minguado na imprensa;


- Gay Talese foi o jornalista mais citado como modelo. Também tiveram muitas citações Truman Capote, John Hersey e Bob Woodward. Entre os brasileiros, os mais lembrados foram Joel Silveira, Caco Barcelos, José Hamilton Ribeiro e Willian Waack.;


- O estereótipo de boêmio não se encaixa mais ao jornalista moderno. Segundo os entrevistados, bebe-se e fuma-se pouco. Quem ainda não se movimenta parece ter a intenção de começar a fazer caminhadas, natação ou ginástica;


- O jornalista brasileiro se percebe menos utópico e mais prático. Foi dito nas ruas que o jornalismo está em cima do muro e perdeu o engajamento. Para os profissionais, o que morreu foi o jornalismo panfletário e partidário;


- O jornalista brasileiro não se sente livre para escrever. Mais do que obedecer a linha editorial dos veículos, as queixas se referem principalmente à coerção da imprensa por grupos políticos ou empresariais;

Curso Abril

Este ano, o curso Abril recebeu 2327 inscrições, mas apenas 51 foram selecionados para participar das palestras e atividades, que ocorrerram entre os dias 29 de janeiro e 28 de fevereiro deste ano. Segundo Pimenta, após o término do curso, cerca de 60 % dos participantes continuam ligado à empresa, como trainees, contratados ou free-lancers.

Na ocasião do lançamento da revista, também será realizado o debate "O Jornalista Brasileiro", com participações de Laurentino Gomes (diretor-superintendente da Abril), Otávio Frias Filho (diretor de redação da Folha de São Paulo ), Dora Kramer (articulista do O Estado de São Paulo ) e Glória Maria (repórter e apresentadora da Rede Globo). A mesa será conduzida por Thomaz Souto Côrrea, VP da Editora Abril.