Copa do Mundo: Antero Greco, da ESPN Brasil, fala sobre a sua 5a cobertura
Copa do Mundo: Antero Greco, da ESPN Brasil, fala sobre a sua 5a cobertura
Atualizado em 24/01/2006 às 13:01, por
Gabriel Mitani* e da Redação do Portal IMPRENSA.
Copa do Mundo: Antero Greco, da ESPN Brasil, fala sobre a sua 5a cobertura
Por Ainda é mês de janeiro, mas a Copa já é notícia. Jogadores bem cotados, apostas nas seleções favoritas e investimentos para uma boa campanha são só o começo. A mídia verde-amarela não quer ficar para trás e já se prepara para o torneio que será disputado na Alemanha entre junho e julho.Até a final da Copa, a Revista IMPRENSA estará acompanhando todos os passos de jornais, revistas, emissoras de rádio e tevês. Os preparativos para a cobertura estarão disponíveis com exclusividade aqui no Portal.
O primeiro personagem que entrevistamos é uma figurinha carimbada quando o assunto é Copa do Mundo. Antero Greco, editor assistente do caderno de esportes do jornal O Estado de S. Paulo e comentarista da ESPN Brasil, já fez a cobertura dos torneios da Espanha (1982), do México (1986), da França (1998) e da Coréia e do Japão (2002).
Agora, em 2006, arruma as malas para cobrir a sua quinta Copa. E não está muito otimista com o fuso horário. Confira:
IMPRENSA: Como você avalia a evolução das coberturas da imprensa nas Copas?
Antero Greco: Em 1982, na Espanha, poucos jornais utilizavam o computador. A transmissão de informações era feita por TELEX. Para mandar 100 linhas de texto escrito, eram necessários 19 minutos, o que nos desgastava muito.
Em 1986, no México, começamos a mandar o material por FAX, o que, de certa forma, facilitava nosso serviço porque podíamos escrever do hotel. Em 1998, na França, o computador já era largamente utilizado, mas a Internet dava os primeiros passos, não tinha o mesmo alcance que teve em 2002, na Coréia e no Japão, onde toda a imprensa já era informatizada. Isso, lógico, exigiu menos dos jornalistas: era menos desgastante para escrever.
IMPRENSA: E o que mudou na maneira de fazer a cobertura?
Greco: Hoje temos de escrever menos, já que há menos espaço nas diagramações, que dão espaço à cor branca, aos gráficos e fotos. A apuração, no entanto, continua a mesma. A velocidade de veiculação informativa na Internet não influi em nada. A checagem e a apuração têm que ser as mesmas, só temos que saber selecioná-las de uma forma mais detalhada.
Cada vez mais o jornalista tem que se deslocar de uma cidade para outra, e isso é difícil para nós. Antes, o Brasil jogava a primeira fase inteira em uma cidade só, o que ajudava na adaptação do ambiente. Hoje, cada jogo é em um local diferente. Como enviado especial, eu posso dizer que é difícil viver em um país e em uma cidade que não são meus. Mas a gente brinca, aqui na redação: "Enviado especial tem que estar preparado para se ferrar!".
IMPRENSA: Como estão os preparativos do Estadão ?
Greco: O jornal vai levar dez repórteres, cinco fotógrafos e outras três pessoas de apoio. Teremos duas equipes cobrindo a seleção brasileira e o resto da reportagem fica responsável pelas outras seleções.
IMPRENSA: E o que você espera para a Copa da Alemanha?
Greco: Há a lenda de que o horário lá é melhor que do Japão. Mas isso é um erro. A jornada de trabalho é mais longa porque a gente tem que começar a trabalhar no horário local, que é cinco horas adiantado em relação ao Brasil, e só termina quando o pessoal daqui do Brasil fechar o expediente. Se fecharem às 20h, lá nós acabamos de trabalhar à 1h da manhã!
Por isso, tem que se disciplinar. Tem que determinar uma hora certa pra dormir e também saber procurar onde se alimentar, pois nenhum lugar do mundo é como São Paulo ou Rio de Janeiro, onde, em toda esquina, há um lugarzinho para comer.
*Gabriel Mitani é estagiário do Portal IMPRENSA






