Caso Folha: PT, oposição e entidades civis repudiam modo de ação da PF
Caso Folha: PT, oposição e entidades civis repudiam modo de ação da PF
Caso Folha : PT, oposição e entidades civis repudiam modo de ação da PF
As explicações do delegado Diógenes Curado não tiveram o mesmo efeito que o pedido de quebra de sigilo de duas linhas telefônicas ligadas ao jornal Folha de S. Paulo .Um ramal da sucursal de Brasília e o celular de uma repórter foram alvos da solicitação feita por Curado, da Polícia Federal, por estarem registrados na memória do aparelho de Gedimar Passos, envolvido na compra do suposto dossiê dos Vedoin contra candidatos tucanos nas últimas eleições.
O delegado alegou que não sabia a quem pertenciam os telefones quando fez o pedido, mas antecipou que descartou qualquer investigação nas linhas, por acreditar que os telefonemas se tratavam de apuração jornalística.
Mesmo assim, a ação recebeu comentários de integrantes do PT, partido do Governo, da oposição e de entidades da sociedade civil, como a Associação Nacional de Jornais, ANJ.
"A quebra do sigilo foi feita com autorização judicial e a PF não sabia", disse, irritado, o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia. "Questionamentos têm que se dirigir ao Judiciário, que nesse país ainda é autônomo e tem competência para isso".
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) encaminhou requerimento de explicações ao minitro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e de solidariedade ao jornal.
Para o deputado federal reeleito Aldo Rebelo (PC do B-SP), por ter se tratado de uma ação judicial, não há problemas. "Caso contrário é uma anormalidade dentro do regime democrático", disse.
O líder da oposição na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA) anunciou que vai entrar com representações contra o delegado e o juiz que acatou o pedido no Ministério Público.
Para o deputado, foi evidente que Curado agiu de forma tendenciosa e negligente. Para o senador José Agripino Maia (PFL-RN), jornalistas correm o risco de "perder a liberdade de agir com desenvoltura", se não forem feitas reações ao caso.
O líder do PFL no Senado não perdeu a chance de dizer que o episódio evidencia que "a imprensa está sendo policiada de forma ilegal e truculenta por orientação do governo".
A ANJ emitiu nota em que afirma estar preocupada com a ação da PF e solidária ao jornal. "Nunca é demais lembrar que o sigilo da fonte é parte essencial do livre exercício do jornalismo", diz. "O episódio envolvendo a Folha mostra que deveriam se buscar critérios mais adequados para esse procedimento [pedido de quebra de sigilo telefônico]". 





