Caso Folha: Em editorial, jornal critica quebra de sigilo
Caso Folha: Em editorial, jornal critica quebra de sigilo
Caso Folha : Em editorial, jornal critica quebra de sigilo
Em editorial de sua edição de hoje (10/11), o jornal Folha de S. Paulo criticou a atitude do delegado da Polícia Federal Diógenes Curado, de pedir a quebra de sigilo de duas linhas telefônicas ligadas ao jornal.O pedido, feito anteontem, atingiu um ramal da sucursal de Brasília, instalada na sala de imprensa da Câmara dos Deputado, e o celular de uma repórter - ambos estavam gravados no registro de ligações recebidas no celular de Gedimar Passos, envolvido no escândalo do suposto dossiê contra tucanos.
O delegado alegou que não sabia a quem pertenciam os números quando solicitou a quebra do sigilo; ao saber de onde eram, descartou investigá-los, por ter a certeza de que os jornalistas queriam apenas apurar informações sobre a prisão de Gedimar.
"O que ressalta (...) é a leviandade com que agentes públicos tratam as garantias constitucionais no País", diz o editorial. "Ainda que não de demonstre intenção de bisbilhotar o trabalho jornalístico, o caso constitui inequívoca violação do sigilo de fonte".
Para o jornal, o caso explicita também uma grave rotina entre policiais e juízes, "que precisa mudar". A Folha encontra dois problemas principais na versão oficial do delegado.
"Se é verdade que os telefones da Folha deixaram de ser investigados, por que um ramal do jornal constava de um relatório de inteligência formulado pela Polícia Federal?", questiona. "E por que a polícia se preocupou em saber que o número telefônico pertencia à Folha e não tinha ligação com a falcatrua somente após o sigilo do jornal ter sido quebrado?".
Para o jornal, a PF deveria ter realizado uma apuração prévia para detectar quais, das 169 linhas relacionadas em um relatório, mereciam investigação mais aprofundada.
"A ruptura de garantias constitucionais foi tratada como um ato burocrático banal", aponta o editorial. "E o pior é que o episódio que envolveu este jornal não é exceção".
Citando "despreparo e comodismo de policiais que confundem investigação com quebra de sigilo a mancheias", a Folha acredita que há bandidos infiltrados no poder público, em busca de munição para extorquir e intimidar.
O jornal lembra o caso de pedido de quebra de sigilo de adversários políticos pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) em 2001 para classificar o ato do delegado Curado de "deturpação cotidiana que deságua em extorsão". "Passa da hora de fechar as portas a esse abuso", finaliza. 





