Cale a Boca, Jornalista: Requião volta à carga e pede novamente quebra de sigilo de jornalistas
Cale a Boca, Jornalista: Requião volta à carga e pede novamente quebra de sigilo de jornalistas
Cale a Boca, Jornalista : Requião volta à carga e pede novamente quebra de sigilo de jornalistas
Por O candidato à reeleição do Governo do Paraná, Roberto Requião (Coligação Paraná Forte/PMDB-PSC), protocolou ontem (27/09), mais uma vez, o pedido de quebra de sigilo de quatro jornalistas do estado: Caio Castro Lima, Karlos Kohlbach e Celso Nascimento, da Gazeta do Povo , e Mari Tortato, da Folha de S. Paulo .O primeiro pedido não foi analisado pelo Ministério Público por conta da falta de documentos. Requião e sua coligação alegam que os repórteres obtiveram, de forma ilícita, segredos de Justiça para produzir reportagens sobre o chamado “Caso Rasera”.
Délcio Rasera, ex-funcionário da Casa Civil do governador, está preso, acusado de chefiar uma quadrilha de “arapongas”, que prestava serviços de escutas telefônicas ilegais.
As acusações, por enquanto, provam apenas que Rasera atuava a mando de pessoas físicas. Entretanto, como ele possuía funções dentro do Palácio Iguaçu – ainda não explicadas pelo Governo –, acredita-se que a quadrilha possa ter atuado a mando de outras pessoas ligadas ao Governo; entre elas, o próprio Requião.
O parecer oficial da Folha de S. Paulo foi divulgado ontem, com a publicação de um editorial condenando a ação movida pela coligação, que também tentou impedir, na Justiça, a publicação de uma matéria ainda em apuração, pelo repórter Rubens Valente, também da Folha – o pedido foi negado pelo TRE-PR, que o considerou “censura prévia”.
No texto “O direito de saber”, o jornal paulista acredita que as ações mostram “que fica patente a tentativa do candidato do PMDB, acuado por suspeitas que rondam a sua administração, de constranger o livre exercício do jornalismo”.
A correspondente da Folha em Curitiba, Mari Tortato, afirmou que, apesar de muito acessível, o atual governador costuma responder de maneira agressiva, em entrevistas, a perguntas que não o agradam ou que possam intimidá-lo.
“Ele – e os membros do Governo em geral – não `permitem´ questionamentos ao próprio Governo, costumam ser intimidadores”, comentou à reportagem do Portal IMPRENSA “Mas pedidos de quebra de sigilo e a tentativa de impedir a publicação de matérias ainda em apuração foram o ápice desse tipo de reação”.
A jornalista ressaltou o fato de que as apurações estão sendo feitas sobre o mandato dos últimos quatro anos de Requião, não sobre a reeleição. “Por uma coincidência, a campanha do PMDB e as investigações estão acontecendo ao mesmo tempo”, acredita. “Quem está levando para esse cunho eleitoral é a própria direção de campanha”.
O departamento jurídico da Coligação Paraná Forte emitiu nota oficial sobre o caso no último dia 26. O texto informa que o pedido encaminhado ao Ministério Público “sugere, dentre outras providências” que o sigilo dos repórteres seja quebrado.
A coligação, segundo a nota, não pediu o registro das conversas telefônicas ou moveu ações judiciais contra os jornalistas, só buscou descobrir qual o servidor público que vazou documentos sigilosos para a imprensa.
“É uma tentativa de intimidar e calar fontes, que são instrumentos do trabalho jornalístico”, considera Tortato. “O que eles vão conseguir com isso?”
A nota lembra o caso da Escola Base para afirmar que “ataques precipitados da imprensa, por documentos vazados de investigações sigilosas, podem acabar com a vida de cidadãos inocentes”.
Para a correspondente no Paraná, as ações são “um tiro no pé”. “Eles já tiveram um efeito danoso, a primeira ação já caiu. E eu acho que esse absurdo também não vai pra frente”, disse. “É um cerceamento à liberdade de imprensa, de investigação e de informação". 





