Bernardo Kucinski: "Os jornalistas não aceitam um líder político que não tenha diploma"
Bernardo Kucinski: "Os jornalistas não aceitam um líder político que não tenha diploma"
Atualizado em 11/01/2006 às 10:01, por
Denise Moraes | Redação Portal Imprensa.
Bernardo Kucinski: "Os jornalistas não aceitam um líder político que não tenha diploma"
O jornalista e professor Bernardo Kucinski, atual assessor da Presidência da República, deu uma entrevista à Agência Repórter Social analisando a atual situação do governo Lula com a imprensa.Para Kucinskli, Lula "sempre foi muito maltratado pela imprensa", que distorceu situações para mostrá-lo como uma pessoa corrupta. O professor alega que a discriminação vem mais dos jornalistas do que dos donos dos jornais, e que o presidente se controla para não criar uma rejeição à mídia.
No entanto, ele admite que faltou a Lula uma maior consciência sobre a obrigação do presidente e de seu governo de falar com o povo por meio da imprensa. Em vez disso, o governo se portou como se a imprensa não existisse. "Ele [ Lula ] eliminou a necessidade da imprensa. Ela passou a se comunicar diretamente, através das falas do presidente, do café do presidente, dos discursos do presidente, que é sempre uma fala vertical. Ele fala e não se submete ao questionamento", disse.
De acordo com Kucinski, os motivos desse distanciamento estão no fato de o PT não ter uma grande capacidade em comunicação e, em conseqüência disso, de ter transformado Duda Mendonça em um assessor informal, alguém que ocupava "os dois lados do balcão". "Na minha opinião, ele não podia ao mesmo tempo ser palpiteiro do governo e quem ia fazer as ações. Nem as empresas privadas fazem isso", comentou.
As críticas de Kucinski não ficaram restritas ao governo e a Duda Mendonça. Segundo ele, a imprensa não soube conduzir a crise política que se instalou no país. Ele credita isso à má-formação dos repórteres atuais, profissionais sobrecarregados de trabalho, que vivem em disputa por matérias e não se preocupam em checar a veracidade daquilo que publicam.
"Como o trabalho é uma pauleira, não dá tempo de investigar direito. Aos poucos a gente foi vendo que as acusações viraram matéria; as pautas viraram matérias. Matérias inteiras que deveriam ser o ponto de partida e elas são o ponto de chegada", analisou.






