Artigo: O tremendo erro da Veja, de O Globo e da Folha de S.Paulo, por Fernando Jorge
Artigo: O tremendo erro da Veja, de O Globo e da Folha de S.Paulo, por Fernando Jorge
Atualizado em 17/02/2006 às 18:02, por
Fernando Jorge*.
Artigo : O tremendo erro da Veja , de O Globo e da Folha de S.Paulo , por Fernando Jorge
Por Maior jornal da Dinamarca, o "Jyllads-Posten" publicou doze caricaturas do profeta Maomé. Uma das charges retrata o profeta com uma bomba sobre a cabeça e outra mostra o aspecto sinistro, cimitarra na mão, olhos cobertos por uma tarja preta, como se fosse o terrorista Osama Bin Laden.A religião muçulmana proíbe esses desrespeitos, pois para os seguidores do Islã isto é ultraje, sacrilégio imperdoável. Eu penso da mesma forma. Pergunto: os cristãos gostariam de ver Jesus retratado como assassino? Declarou Hamid Karzai, líder afegão:
- Um insulto ao santo profeta Maomé é insulto a mais de um milhão de muçulmanos. Pura verdade, eu concordo. O jornal "Jyllads-Posten" já recebeu várias ameaças de bombas. Sem dúvida os seus redatores devem estar apavorados. Diplomatas e jornalistas ocidentais, devido a tal fato, começaram a deixar os territórios dos países árabes, porque sabem que poderão ser seqüestrados ou morrer sob tiros, bombas, granadas, rajadas e metralhadoras.
Tremendo erro, aqui no Brasil, foi cometido pela revista "Veja" e pelos jornais "O Globo" e "Folha de S. Paulo". Sim, tremendo erro, pois a revista na reportagem "Choque de culturas", de Diogo Schelp (edição de 08/02/2006), reproduziu três das doze caricaturas do "Jyllads-Posten" . E "O Globo" também apresentou três charges (edição de 03/02/2006), inclusive a que exime Maomé com aspecto assustador, cara de Bin Laden. No mesmo dia, a "Folha de S.Paulo" divulgou a caricatura onde o profeta, de braços abertos, recomenda diversos homens-bomba:
- Parem, parem, nós estamos sem virgens!
É uma alusão à promessa feita aos mártires do Islã de que eles, após as suas mortes, ganharão virgens lindas e encantadoras no paraíso mulçumano...
Condeno qualquer atentado à liberdade de imprensa. Este repúdio aparece de maneira bem clara no meu livro "Cale a boca, jornalista!", lançado pela Editora Vozes. Mas não devemos confundir a chamada liberdade de imprensa com achincalhes a Buda, a Alan Kardec, a Jesus Cristo, a Nossa Senhora, a Maomé. Respeitemos a bela religião dos árabes, o Islamismo, como belo livro sagrado deles, "O Alcorão", respeita Jesus.
Lamento dizer que a "Veja", "O Globo" e a "Folha de S. Paulo" poderão ser vítimas de atentados terroristas. Lamento dizer que essas publicações talvez tragam o terrorismo para o Brasil, por terem reproduzido as caricaturas insultuosas. Lamento dizer que as três foram levianas, imprudentes, não agiram com inteligência.
Lamento dizer que elas se esquecem do perigo que ainda corre o escritor britânico Salman Rushdie, pelo fato de ser o autor do livro "Versos satânicos", no qual o profeta Maomé é ridicularizado. Salman, cuja cabeça o aiatolá Khomeini pôs a prêmio, vive inquieto até hoje. Dezenas de tradutores do referido livro sofrem atentados. Um deles, o japonês Hitoshi Igarashi, foi morto pelos adoradores de Maomé.
Aconselho a "Veja", "O Globo" e a "Folha de S. Paulo" a seguir o exemplo de Carsten Juste, o chefe de redação do "Jyllads-Posten", que pediu desculpas aos muçulmanos por ter seu jornal publicado essas caricaturas amaldiçoadas. Não quero a desgraça da revista e dos dois jornais. Espero, sinceramente, que não sofram nenhum atentado.
Fernando Jorge é escritor, jornalista, colunista da Revista IMPRENSA e autor do livro "Lutero e a Igreja do pecado", cuja 2ª edição foi lançada pela Editoria Mercuryo.






