Artigo: Jornalismo de Resistência, a negação da notícia como mercadoria, por Mariana do A. Antunes

Artigo: Jornalismo de Resistência, a negação da notícia como mercadoria, por Mariana do A. Antunes

Atualizado em 12/04/2007 às 15:04, por Mariana é estudante do 3° período de Comunicação Social - Universidade Federal de Juiz de Fora -UFJF.

Artigo: Jornalismo de Resistência, a negação da notícia como mercadoria , por Mariana do A. Antunes

Freqüentemente os interesses comerciais vêm ditando regras cada vez mais presentes na mídia e na atuação dos profissionais de comunicação. Diante dessa realidade, há um ramo de atuação chamado Jornalismo de Resistência, que baseia-se no foco social da profissão, visando o compromisso reflexivo e crítico da notícia ante os interesses mercadológicos.

Além disso, a atividade permite um envolvimento maior com a reportagem e busca, assim, preceitos que ofereçam ao jornalista a possibilidade de alcançar mudanças na sociedade através de diferentes abordagens e formação de opinião.
Vale ressaltar, porém, que ao contrário do que o nome sugere, a prática não deve ser vista como uma tentativa de mudança através de revolução ou movimento anticapitalista. Posiciona-se apenas contra a atuação de alguns meios que promovem limitações na veiculação de acordo com interesses privados e encaram a notícia e a produção cultural como mero produto.

Os procedimentos da prática

É notável o desafio dos profissionais que atuam no jornalismo de resistência, na busca por pautas que não se limitem apenas às abordagens mais óbvias e que sigam os preceitos da atividade baseados no Código de Ética da profissão.

Tais procedimentos se fundamentam basicamente no questionamento da situação e da reportagem como um todo, na exposição da matéria por ângulos que divergem dos tradicionais e nas oportunidades voltadas à representação da comunidade, criando novos valores para definir o que é ou não notícia através da objetividade e da precisão.

Mídia comercial x Mídia alternativa

Além dos veículos e conglomerados que compõem a mídia comercial, a aplicação do jornalismo de resistência estende-se também fora da imprensa mercadológica, compreendendo informativos de partidos, sindicatos e ONGs, que defendem de forma significativa determinada posição na sociedade.

O IMC, Centro de Mídia Independente, é uma dessas mídias alternativas que defendem a democratização da informação dando ênfase aos movimentos sociais. Surgido no formato de mídia sob demanda, que classifica os veículos que cobrem manifestações populares, a entidade logo ampliou sua atuação através da Internet.

Verifica-se, portanto, a possibilidade de duas vertentes dentro da prática do Jornalismo de Resistência: a atuação adaptada às causas sociais dentro das grandes empresas de comunicação, denominada jornalismo cívico; e a atuação em veículos alternativos, em que a posição editorial é claramente divergente com a imprensa tradicional e a ideologia do veículo muitas vezes caminha junto com a informação.

Ambas, sem dúvida são de fundamental importância na concretização do jornalismo como construtor e conscientizador social da realidade.

Contato: antunes.ma@gmail.com


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