A CBF e a imprensa, por Juca Kfouri*

A CBF e a imprensa, por Juca Kfouri*

Atualizado em 19/12/2005 às 12:12, por * artigo publicado na.

A CBF e a imprensa , por Juca Kfouri*

Folha de S.Paulo e reproduzido com autorização do autor Ricardo Teixeira não prima por ser habilidoso. É tão óbvio e previsível que dá dó.

Ele resolveu, como se esperava, punir esta Folha pela contratação deste colunista.

Consta até que a assessoria de imprensa da CBF, aparentemente constrangida, deixou a situação clara, ao avisar que o jornal passaria a ser tratado a pão e água.

E tem sido assim.

Recentemente somente a Folha , entre os três maiores jornais do país, ficou sem a informação sobre os locais de concentração da seleção brasileira antes da Copa do Mundo, na Suíça, em Weggis, e durante, na Alemanha, em Frankfurt.

O diário Lance! , o maior especializado em futebol na América Latina, também foi excluído, como está excluído até da programação publicitária da Nike, por mais adequado que seja para tanto, não só por sua relevante circulação auditada e pelo público que atinge.

Isso tem um nome, que parecia banido no Brasil: perseguição política, algo típico dos coronéis de repúblicas bananeiras.

É óbvio que os veículos que são críticos sabem que pagam um preço por sua independência.

É óbvio, ainda, que os jornais que foram privilegiados com as informações da CBF não abrirão mão de sua independência editorial em troca de favores.

Não é disso que se trata e não é esse o objetivo principal, por primário que seria.

A intenção é ainda mais infantil. É a de castigar um veículo porque este tem fulano ou sicrano como seu colaborador.

Teixeira tem todo o direito de dar entrevistas para quem quiser e de não dar para quem considere que o trate mal.

Só que não pode esquecer que a CBF não é dele e que há um tipo de informação que não pode ser fornecida a uns e ocultada de outros, sem mais.

Há muito tempo que o técnico da seleção brasileira, por exemplo, não antecipa a convocação dos jogadores para um jornalista mais seu amigo. Convoca-se em entrevistas coletivas.

E não imagine, caro e raro leitor, que há aqui algum queixume. Nada disso.

Trata-se apenas de constatar a pequenez de uma perseguição, até porque este colunista está entre aqueles que sabem que as melhores informações são dadas pela oposição, raramente pela situação.

Aprendiz de ACM, que um dia disse que jornalistas são comprados de duas maneiras, com dinheiro ou com notícia, Teixeira desconhece a existência de um terceiro tipo, o que não se vende nem por uma coisa nem por outra, algo que o desnorteia.

Então, ele pune, ele castiga, severo com a petulância.

E se desmoraliza, mais e mais, diante até dos que eventualmente protege, que hoje estão num veículo, amanhã noutro.

Fosse mais sofisticado, ele não discriminaria assim de maneira tão acintosa e causaria prejuízos muito maiores aos desafetos.

Mas para tanto é necessária uma sutileza que elefantes em lojas de louças, definitivamente, não têm.