Aumento de 50% no número de jornalistas mortos em 2022 é alarmante, alerta Unesco

Levantamento da Unesco divulgado nesta terça-feira (17 jan/23) apontou aumento de 50% em 2022 no número de jornalistas assassinados em consequência de sua atuação profissional.

Atualizado em 18/01/2023 às 11:01, por Redação Portal IMPRENSA.

Segundo a pesquisa, 86 profissionais de imprensa foram mortos no ano passado, contra 55 em 2021. Isso representa uma média trágica de cerca de um assassinato de jornalista a cada quatro dias em 2022. "O forte aumento do número de jornalistas mortos em 2022 é alarmante", definiu Audrey Azoulay, diretora-geral da Unesco.
Em seu comunicado sobre o estudo, a agência da ONU para educação, ciência e cultura lamentou a inversão da tendência positiva vista nos últimos anos. Entre 2019 e 2021, os homicídios de jornalistas caíram para uma média anual de 58 casos - contra 99 em 2018. Crédito: Reprodução Unesco - Shutterstock.com/Nelson Antoine
"As autoridades devem redobrar seus esforços para deter esses crimes e garantir que seus autores sejam punidos, porque a indiferença é um fator importante neste clima de violência", acrescentou a dirigente da agência, lembrando que 86% dos assassinatos de jornalistas ficam impunes.
Na contagem da Unesco, em 2022 o Brasil teve três jornalistas assassinados e quase a metade das vítimas no mundo estava na América Latina e no Caribe (44 casos). Em um novo indicativo de que o crime organizado, e não as guerras, é a maior ameaça aos jornalistas hoje, 75% dos assassinatos aconteceram fora de conflitos em grande escala.
Queima de arquivo

Em 2022, os os três países mais perigosos para jornalistas, segundo a Unesco, foram México, com 19 assassinatos, Ucrânia (10) e Haiti (9).
Seguindo o padrão de queima de arquivo das organizações criminosas, cerca de metade das vítimas foi atacada fora do exercício de suas funções, enquanto estava viajando, em casa ou em lugares públicos. Nos países que lideram o ranking de assassinatos, o estudo destaca que não há lugar seguro para jornalistas investigativos hoje.
Além de coberturas em áreas com conflitos armados e represálias a reportagens sobre o crime organizado, a Unesco destacou que o aumento do extremismo e a cobertura de assuntos sensíveis, como corrupção, crimes ambientais, abuso de poder e protestos, também contribuíram para a elevação no número de jornalistas assassinados no mundo.
Por fim, o relatório destacou que, além de vítimas potenciais de assassinato, os jornalistas podem enfrentar outras formas de violência, como desaparecimento forçado, sequestro, detenção arbitrária e assédio legal. Particularmente contra jornalistas mulheres, a ONU destacou ainda o crescimento de ataques digitais orquestrados, que normalmente usam linguagem agressiva e insultos ligados a gênero.