Aumenta o número de bancários afastados por motivo de doença - Por Maria Thereza Cesar/Universidade Metodista

Aumenta o número de bancários afastados por motivo de doença - Por Maria Thereza Cesar/Universidade Metodista

Atualizado em 06/06/2005 às 17:06, por Maria Thereza Cesar e  Universidade Metodista - São Paulo/SP.

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Com as novas pressões, problemas psicológico e musculares tem acometido esses trabalhadores

Com as novas tecnologias, a adoção das atuais formas de gestão, estabelecimento de metas de produtividade e a remuneração condicionada ao seu cumprimento, a classe bancária está sofrendo com o surgimento de mais uma doença relacionada ao trabalho, os transtornos mentais. Segundo dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), em 2004 o número de casos de transtornos mentais cresceu 69,91%.
Os transtornos mentais são doenças psíquicas que vai desde a estafa a casos graves de depressão. Dependendo do trauma, o funcionário não consegue voltar a trabalhar na área e acaba mudando de ramo. Nos dias de hoje, a principal causa do grande número de afetados por transtornos psíquicos é a insegurança ou histórico de assaltos vivenciado pelo funcionário", explica Rita Berlofa, secretária de saúde e Condições do Trabalho do Sindicato dos Bancários.
Além das doenças psíquicas, as lesões por esforços repetitivos (LER) e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DOT) continuam sendo o principal causador do grande número de afastamentos dos bancários nos últimos dez anos. De acordo com pesquisa feita pelo Sindicato dos Bancários, o aumento de adoecidos por distúrbios musculares chegam a 75,36% do número de funcionários dos principais bancos. Em 2004 foram registrados 1.152 novos adoecidos.
"Trabalhei por 27 anos em um banco estadual que já não existe mais em São Paulo. Na década de 80 eu atuava na contabilidade geral e utilizávamos máquinas manuais para fazer os movimentos bancários. Com o grande esforço e pelas muitas horas consecutivas empurrando a máquina, passei a sentir dores no braço esquerdo. Procurei o médico e, após exames me disse que era LER, mas eu não deveria contar para ninguém, muito menos para meu chefe. Naquela época as pessoas tinham medo de serem despedidas se contassem que tinha LER", relata a aposentada Maria do Socorro César Tavares Ferreira.
Em entrevista a alunos de jornalismo na organização Oboré, a secretária de Saúde Municipal Dra. Maria Maeno Settimi e o médico Sanitarista e do Trabalho Dr. José Carlos do Carmo (conhecido como Kal), discutiram a atual situação da saúde dos trabalhadores.
Com o levantamento dos dados proveniente do INSS, Dra. Maeno e Dr. Kal traçaram o panorama das circunstâncias pelas quais os trabalhadores têm adoecido. Foi analisada a atuação dos médicos do trabalho, que em inúmeros casos, são profissionais contratados por empresários para servir como apaziguador entre os empregados e empregadores. "Os dados que temos não reflete a realidade dos trabalhadores, porque muitos casos não são levados ao conhecimento do INSS. Os médicos do trabalho, filiados à empresa, convencem o trabalhador a não fazer notificação", explica Dr. Kal.
Uma das soluções levantada pelo sindicato para diminuir o número de profissionais doentes é a ginástica laboral, com profissionais formados na área, e que necessariamente façam exercícios personalizados. "Deve ser ministrado por profissional competente que faça trabalhos diferenciados com atividades para cada pessoa. Caso contrário, o que poderia ajudar pode contribuir para o agravamento da doença", comenta Rita.
De acordo com Rita, o ideal é que as aulas sejam dadas não apenas no início e no fim de cada expediente, mas durante o trabalho momento ideal para o funcionário fazer alongamento e evitar problemas musculares. "Há dois anos eu dou aulas de ginástica laboral em uma fábrica multinacional em São Paulo. Com duração de 10 à, no máximo, 15 minutos diários, procuro sempre dar diferentes movimentos e alongamentos para os operários. Com o início da prática dos exercícios, percebi que os funcionários passaram a ter uma nova consciência de que é bom e faz bem", diz Rodrigo Heitor Camargo Paulo, professor de educação física.
Rita ressalta que para melhorar as condições de saúde trabalhadores em banco, não basta apenas ginástica e alongamento. É necessário criar dois turnos, um de manhã e outro à tarde que divida o trabalho evitando sobrecarga em um único funcionário.
Porém, para viabilizar esta solução, é preciso que o banco contrate mais funcionários e, primordialmente, invista em prevenção. "A atual situação dos bancários é um problema de caráter de diretos humanos. Os bancos são irresponsáveis sociais e precisam investir mais nos trabalhadores", comenta Rita.