Audálio Dantas critica filme de João Batista de Andrade sobre Vladimir Herzog

Audálio Dantas critica filme de João Batista de Andrade sobre Vladimir Herzog

Atualizado em 24/10/2005 às 11:10, por Pedro Venceslau e  da redação.

Entre os dias 25 e 31 de outubro de 1975, coube ao jornalista Audálio Dantas, então presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, a tarefa de articular a missa ecumênica em memória de Vladimir Herzog. O filme "Vlado: 30 anos depois", do cineasta e secretário estadual de cultura de São Paulo, João Batista de Andrade, que está em cartaz ns cinemas, porém, omite essa informação. "Não há justificativa para o Sindicato não ser mencionado no filme. De onde surgiu aquela manifestação? Do nada?", reclama Audálio. Apesar da "falha" do cineasta, Audálio aparece com destaque no filme de Batista, que mostra, quase na íntegra, seu discurso na catedral da Sé. "Eu nunca tinha visto aquelas imagens", afirma Audálio.

O ex-presidente do Sindicato comentou, ainda, as recentes declarações de Paulo Egydio - governador de São Paulo, em 1975 -, que reclamou da ausência de homenagens a Manoel Fiel Filho, operário assassinado pelos militares pouco tempo depois de Vlado.

"Nesse ponto ele tem razão. Por que não houve manifestação pública se ele morreu três meses depois do Vlado e foi assassinado pelos mesmos algozes? Lembro-me que na missa de Fiel Filho, na Igreja do Carmo, compareceram 100 pessoas, enquanto na do Vlado foram oito mil. Faltou ação ao sindicato da categoria dele, que não se pronunciou. De qualquer forma, a categoria dos jornalistas não quis formar um mártir exclusivo. Vlado simboliza todas as outras vítimas da ditadura", diz.