Atuando em segredo, coletivo de jornalistas mudou rumo das investigações de assassinato de repórter no México
A revista norte-americana New Yorker publicou em sua edição desta semana uma reportagem assinada por Melissa del Bosque sobre o trabalho desenvolvido por mais de 30 jornalistas para investigar a morte da colega mexicana Miroslava Breach Velduce, assassinada a tiros em março de 2017, na cidade de Chihuahua, aos 54 anos, quando saía de sua casa para levar o filho de 14 anos à escola.
Atualizado em 12/04/2023 às 14:04, por
Redação Portal IMPRENSA.
O crime ocorreu após a jornalista publicar uma série de matérias sobre as relações entre políticos e narcotraficantes do México e sobre a indicação de candidatos a cargos eletivos pelos carteis do país. Após a publicação das matérias, a jornalista recebeu várias ameaças de morte e pelo menos dois candidatos foram retirados de disputas eleitorais. Crédito: Reprodução The New Yorker Denominado 23 de março em referência à data em que Miroslava foi morta, o grupo de jornalistas formou-se secretamente e teve que trabalhar em sigilo para descobrir os mandantes do crime e ajudar a combater a impunidade envolvendo o assassinato de jornalistas no México. O país é considerado o mais perigoso do mundo para a atuação de profissionais de imprensa, problema que aumentou no governo do presidente esquerdista Andrés Manuel López Obrador, também conhecido como Amlo.
AMLO
De acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, 42 jornalistas foram mortos no México apenas nos primeiros três anos do mandato de Amlo, contra 45 nos 6 anos do último presidente, Enrique Peña Nieto. Já nas contas da Artigo 19, a violência contra jornalistas no México aumentou 85% desde que Amlo, um crítico do trabalho da imprensa, assumiu o cargo.
Após investigar o caso e acompanhar as audiências sobre o assassinato de Miroslava, o coletivo 23 de março publicou em setembro de 2019 três matérias com pistas que foram ignoradas na investigação oficial. O coletivo também investigou as ameaças de morte recebidas pela repórter.
Após a repercussão internacional das revelações, dois envolvidos no crime foram condenados e novos suspeitos passaram a ser investigados. O objetivo do coletivo é que todos os envolvidos sejam condenados.
A matéria da New Yorker ressalta que o trabalho em grupo trouxe mais segurança para os jornalistas do 23 de março e que esse modelo de investigação coletiva pode ser útil para debelar a violência contra profissionais de imprensa no México e em outros países.





