Assassinato de jornalista por oficial do Ministério gera protestos no Cáucaso

Assassinato de jornalista por oficial do Ministério gera protestos no Cáucaso

Atualizado em 01/09/2008 às 10:09, por Redação Portal IMPRENSA.

Nesta segunda-feira (1), millhares de pessoas protestaram na Inguchetia - uma das repúblicas russas no Cáucaso - contra a morte de Magomed Yevloyed, um conhecido jornalista da oposição da Inguchetia, que foi assassinado no domingo (31), a bordo de um automóvel pertencente ao Ministério inguche do Interior.

Yevloyev, que detinha um , era conhecido pelos frequentes confrontos de opinião com o líder local Murat Zyazikov, apoiado pelo Kremlin e que tentava acabar com a página virtual de oposição, que recebeu ordem de encerramento em seis de junho deste ano, mas que continua operando normalmente.

"A manifestação vai continuar até que o presidente Zyazikov e o ministro do Interior Mussa Medov abandonem os seus postos", afirmou Magomed Khazbiyev, um dos organizadores do protesto, em declarações à agência de notícias Reuters.

De acordo com um repórter desta agência, a manifestação aconteceu na praça principal de Nazran, a capital da Inguchetia, em torno de um veículo que trazia o caixão com o cadáver do jornalista.

Através de um comunicado, o Ministério inguche do Interior afirmou que "Yevloyev tentou tirar a pistola de um dos oficiais que o acompanhava. Como resultado desta ação, um oficial infligiu um tiro na cabeça de Yevloyev".

A organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras contesta essa versão e entende que o fato deve ser punido. "Estamos chocados com a morte de Yevloyev, que demonstrou coragem e determinação por escrever notícias independentes na Inguchetia, apesar de ele e a sua família serem atacados e ameaçados", afirmou a RSF.

Inguchetia

A Inguchetia, que faz fronteira com a Tchechênia, é uma república pobre e de maioria muçulmana, com altos níveis de violência, uma vez que, quase diariamente, acontecem raptos, ataques contra as forças de ordem e mortes de civis.

Yevlovev foi o jornalista mais importante a ser assassinado desde Outubro de 2006, época em que Anna Politkovskaia, que faria 50 anos no último sábado (30), foi morta à porta de sua casa na capital russa, Moscovo.

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