Assange não pode ser tratado como jornalista comum, diz advogado dos EUA sobre extradição do fundador do WikiLeaks

Símbolo mundial da luta pela liberdade de imprensa, o australiano Julian Assange não compareceu nem ontem nem hoje às audiências do julgamento, pela Justiça britânica, de seu último recurso para evitar ser extraditado para os EUA.

Atualizado em 21/02/2024 às 14:02, por Redação Portal IMPRENSA.


Em nota, o WikiLeaks creditou as ausências às "precárias condições de saúde" de seu fundador, que está preso em uma penitenciária de segurança máxima em Londres.
Após a divulgação de milhares de documentos secretos sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque, que acabaram reproduzidos em veículos de notícias de diferentes países, Assange foi acusado pelos EUA de 18 crimes.
Se for condenado pela justiça norte-americana, ele pode pegar até 175 anos de prisão.
Em caso de derrota na Alta Corte de Londres, o australiano ainda pode recorrer da extradição ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos Crédito: Reprodução Reuters Jornalismo não é crime: manifestantes criticam tentativa dos EUA de extraditar fundador do WikiLeaks Enquanto apoiadores de Assange o classificam como um jornalista que expôs crimes de guerra, advogados que representam os EUA afirmaram hoje que os vazamentos feitos pelo fundador do WikiLeaks colocaram em risco a vida de agentes do governo e que o material publicado pelo Wikileaks foi obtido incentivando pessoas a roubar documentos. Portanto, Assange não poderia ser “tratado como um jornalista comum”.
Ataque de helicóptero

Por sua vez, Edward Fitzgerald, advogado de Assange, afirma que o processo não tem precedentes legais e criminaliza práticas jornalísticas.
"Assange e o WikiLeaks foram responsáveis pela exposição da criminalidade por parte do governo dos EUA numa escala sem precedentes”, acrescentou Fitzgerald, citando crimes como tortura e execuções extrajudiciais. Dentre os documentos vazados há um vídeo de um ataque de helicóptero pelas forças dos EUA que matou 11 pessoas no Iraque, incluindo dois jornalistas da Reuters.
Já os promotores americanos insistem que o fundador do WikiLeaks está sendo processado por ajudar, encorajar e conspirar para que seus colaboradores obtivessem documentos ilegalmente, “sem dúvida cometendo crimes graves”.
Se os dois juízes britânicos negarem o recurso de Assange, ele pode ser extraditado para os EUA dentro de dias.
Neste caso, um intervenção do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos restaria como única esperança legal do fundador do WikiLeaks para evitar sua extradição.
Governada pelo Partido Trabalhista desde 2022, a Austrália tem pressionado EUA e Reino Unido a encerrar o que chama de perseguição contra Assange. Primeiro-ministro do país, Anthony Albanese chegou a discutir o assunto com o presidente Joe Biden.