As fontes de Hipólito da Costa
As fontes de Hipólito da Costa
Atualizado em 02/06/2008 às 09:06, por
Nelson Varón Cadena.
Em 1 de junho de 1808, duzentos anos transcorridos ontem, Hipólito da Costa lançou o Correio Braziliense . No editorial de apresentação do primeiro impresso periódico em língua portuguesa, editado em Londres, o jornalista declarava-se "feliz eu se posso transmitir a uma nação longínqua e sossegada, na língua, que lhe é mais natural, e conhecida, os acontecimentos desta parte do mundo...". Referia-se a Europa e nessa perspectiva sinalizava que as suas fontes também estavam no velho continente. Em nenhum momento cogitara em noticiar ou comentar acontecimentos do Brasil, nenhuma evidência de seu próprio punho, o que vêm acontecer naturalmente, na medida em que passa a dispor de fontes, também, deste lado do Atlântico.
Uma leitura de seus escritos revela as suas fontes: Inicialmente as gazetas de Londres, com destaque para o Times citado nominalmente em mais de uma ocasião, o The New York Advertiser (fonte das noticias relativas ao México) a Gazeta de Caracas (fonte das noticias referentes a Venezuela e Colombia), a Gazeta de Buenos Aires (que lhe trazia subsídios sobre a delicada questão diplomática do Rio da Prata.), a Gazeta de Lisboa (logo após a desocupação do território luso pelas forças napoleónicas), o Diário de Barcelona e principalmente a Gazeta do Rio de Janeiro , cujo surgimento Hipólito "antecipou" em outubro de 1808 : "Se pretende estabelecer uma imprensa no Brasil".
Noticias particulares
O jornalista ainda não conhecia o nome do jornal, mas sabia por fontes próximas da Embaixada Brasileira em Londres, da remessa de um prelo inglês, por cem libras esterlinas, para essa finalidade (dois outros prelos embarcados na época da fuga da família real também faziam parte do acervo da Imprensa Regia). A Gazeta do Rio de Janeiro , mesmo com linha ideológica divergente do Correio Braziliense , era uma de suas fontes mais usuais. Hipólito informava-se, através dela, de atos oficiais e essa matéria prima permitia-lhe exercitar a polêmica e alinhavar as suas propostas. Inexplicavelmente o jornal Idade D'Ouro do Brasil (1811-1822) não era fonte, nem noticia. Hipólito jamais fez qualquer referência ao jornal baiano, assim como o Idade D"Ouro nunca mencionou o Correio Braziliense . "Noticias particulares" era como Hipólito se referia às fontes baianas, cujos nomes, por razões obvias, nuca explicitou.
A partir de 1812 os jornais portugueses editados em Londres passam a ser as suas fontes mais recorrentes, em particular O Investigador Português , referência constante nos seus escritos, mas também O Espellho , O Português e o Campeão Português. Durante anos Hipólito fez o jogo do Investigador e polemizou com ele, apontava-lhe as contradições e denunciava os seus acordos de bastidores. Levou a melhor. Mas fora as fontes aqui citadas, as gazetas, Hipólito servia-se de noticias que lhe chegavam através de cartas, oriundas de Lisboa, Madrid, do Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Pernambuco e até do Maranhão. Fontes qualificadas, bem informadas, constituídas, algumas, através de seus contatos com a maçonaria. Referia-se a elas como "noticias particulares", "um correspondente nosso" ou "meus correspondentes em".
Documentos oficiais
O Dr Heliodoro Carneiro era um deles, segundo evidências de documentos históricos, mas também o controvertido Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, companheiro de farras de Dom Pedro I. Se não há certezas quanto a seu papel de fonte, existem provas de sua ação como agente distribuidor do jornal. O jornalista tinha, ainda, acesso privilegiado a documentos, cujo teor mencionava nos seus escritos, copias dos originais remetidos a Londres, através das representações diplomáticas legais. Esses papéis embasavam com propriedade as suas observações e eram fontes das mais usuais.
Impressiona em Hipólito da Costa essa sua busca pela qualidade da informação, seja nos jornais do mundo, nas repartições públicas ou através de sua rede de correspondentes, num contexto histórico desfavorável onde o poder público, ele próprio, produzia a notícia de acordo com os seus interesses. Foi esse conjunto de fontes, aliado a um talento excepcional que fez dele, Hipólito, o jornalista melhor informado e mais influente de seu tempo.

Uma leitura de seus escritos revela as suas fontes: Inicialmente as gazetas de Londres, com destaque para o Times citado nominalmente em mais de uma ocasião, o The New York Advertiser (fonte das noticias relativas ao México) a Gazeta de Caracas (fonte das noticias referentes a Venezuela e Colombia), a Gazeta de Buenos Aires (que lhe trazia subsídios sobre a delicada questão diplomática do Rio da Prata.), a Gazeta de Lisboa (logo após a desocupação do território luso pelas forças napoleónicas), o Diário de Barcelona e principalmente a Gazeta do Rio de Janeiro , cujo surgimento Hipólito "antecipou" em outubro de 1808 : "Se pretende estabelecer uma imprensa no Brasil".
Noticias particulares
O jornalista ainda não conhecia o nome do jornal, mas sabia por fontes próximas da Embaixada Brasileira em Londres, da remessa de um prelo inglês, por cem libras esterlinas, para essa finalidade (dois outros prelos embarcados na época da fuga da família real também faziam parte do acervo da Imprensa Regia). A Gazeta do Rio de Janeiro , mesmo com linha ideológica divergente do Correio Braziliense , era uma de suas fontes mais usuais. Hipólito informava-se, através dela, de atos oficiais e essa matéria prima permitia-lhe exercitar a polêmica e alinhavar as suas propostas. Inexplicavelmente o jornal Idade D'Ouro do Brasil (1811-1822) não era fonte, nem noticia. Hipólito jamais fez qualquer referência ao jornal baiano, assim como o Idade D"Ouro nunca mencionou o Correio Braziliense . "Noticias particulares" era como Hipólito se referia às fontes baianas, cujos nomes, por razões obvias, nuca explicitou.
A partir de 1812 os jornais portugueses editados em Londres passam a ser as suas fontes mais recorrentes, em particular O Investigador Português , referência constante nos seus escritos, mas também O Espellho , O Português e o Campeão Português. Durante anos Hipólito fez o jogo do Investigador e polemizou com ele, apontava-lhe as contradições e denunciava os seus acordos de bastidores. Levou a melhor. Mas fora as fontes aqui citadas, as gazetas, Hipólito servia-se de noticias que lhe chegavam através de cartas, oriundas de Lisboa, Madrid, do Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Pernambuco e até do Maranhão. Fontes qualificadas, bem informadas, constituídas, algumas, através de seus contatos com a maçonaria. Referia-se a elas como "noticias particulares", "um correspondente nosso" ou "meus correspondentes em".
Documentos oficiais
O Dr Heliodoro Carneiro era um deles, segundo evidências de documentos históricos, mas também o controvertido Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, companheiro de farras de Dom Pedro I. Se não há certezas quanto a seu papel de fonte, existem provas de sua ação como agente distribuidor do jornal. O jornalista tinha, ainda, acesso privilegiado a documentos, cujo teor mencionava nos seus escritos, copias dos originais remetidos a Londres, através das representações diplomáticas legais. Esses papéis embasavam com propriedade as suas observações e eram fontes das mais usuais.
Impressiona em Hipólito da Costa essa sua busca pela qualidade da informação, seja nos jornais do mundo, nas repartições públicas ou através de sua rede de correspondentes, num contexto histórico desfavorável onde o poder público, ele próprio, produzia a notícia de acordo com os seus interesses. Foi esse conjunto de fontes, aliado a um talento excepcional que fez dele, Hipólito, o jornalista melhor informado e mais influente de seu tempo.






