Apostando em informação qualificada, guia traz orientações sobre cobertura da pauta aborto

Resultado de um encontro realizado em 2022, que reuniu jornalistas e advogadas defensoras dos direitos humanos, o guia “Boas práticas de cobertura feminista sobre aborto no Brasil” está sendo lançado pelo Portal Catarinas e pela plataforma Nem Presa Nem Morta.

Atualizado em 28/04/2023 às 15:04, por Redação Portal IMPRENSA.


Gratuita e digital, a publicação traz orientações de como cobrir pautas relativas a aborto de maneira segura e destaca a necessidade de preservar jornalistas e fontes de possíveis processos por injúria, difamação e calúnia. Outro tema abordado é o direito ao sigilo da fonte em matérias sobre aborto. Crédito: Divulgação Guia propõe cobertura responsável e afirmativa sobre o tema aborto, pautada na ciência e na saúde pública Realizado com apoio de Anis - Instituto de Bioética, Cladem, Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde e Coletivo Margarida Alves, o guia poderá ser acessado a partir de 3 de maio (Dia Internacional da Liberdade de Imprensa) no Portal Catarinas.
Assunto interditado

“Nada mais oportuno do que tratar da cobertura do aborto no dia que evidencia a liberdade de imprensa. Por ser capturado pelo estigma, o assunto é constantemente interditado e alvo de desinformação. Convidamos jornalistas e comunicadoras à cobertura responsável e afirmativa, pautada na ciência, na saúde pública, e nos direitos humanos e fundamentais das meninas, mulheres e pessoas que gestam”, diz Paula Guimarães, diretora executiva do Portal Catarinas.
Laura Molinari, que integra a Nem Presa Nem Morta, conta que o guia também visa viabilizar a troca de experiências e conhecimentos sobre a cobertura do tema, questionando o estigma que a imprensa muitas vezes confere a pautas sobre aborto, principalmente quando as relega a páginas policiais. Nesse sentido, o guia destaca a importância de realizar esse tipo de matéria com base em evidências científicas e na afirmação de direitos. Para isso, o material elenca exemplos de boas reportagens sobre casos de violações de direitos de meninas e mulheres.
“Partimos da compreensão de que o enquadramento dado às notícias sobre aborto, focado nos direitos fundamentais e humanos das pessoas que gestam e não na criminalização, como ocorre com frequência, não só contribui para qualificar o debate e garantir a efetivação dos direitos como, também, é parte da responsabilidade profissional de atuar para a construção da justiça social e de gênero”, diz Morgani Guzzo, jornalista no Portal Catarinas.
O guia também destaca que as reportagens sobre aborto devem fugir do mero “a favor ou contra” e de noções moralizantes, apostando sempre em informação qualificada, baseada em evidências científicas.