Após receberem ameaças, jornalistas argentinos deixam Bolívia escoltados

Após receberem ameaças da polícia e de seguidores do líder opositor Luis Fernando Camacho, jornalistas argentinos que estavam cobrindo a crise na Bolívia, após a renúncia de Evo Morales no dia 9, tiveram que deixar a capital La Paz.

Atualizado em 18/11/2019 às 09:11, por Redação Portal IMPRENSA.


Crédito:Reprodução Twitter Eles foram à embaixada argentina, de onde foram escoltados até o aeroporto de El Alto. Em comunicado, a chancelaria argentina pediu que “as autoridades no poder na Bolívia velem pela segurança e pela integridade física dos meios argentinos presentes na cobertura dos eventos”.

“Meu nome apareceu ao lado desta foto, onde eles dizem que forçamos os manifestantes a deixarem o chão para exagerar os incidentes. Você sabe por que eles estavam assim? Eles estavam no chão para poder respirar, porque de pé seriam contaminados pelo gás lacrimogêneo”, escreveu em seu Twitter o jornalista Mariano García, da emissora Telefé.

Depois, ao questionar Camacho, que dizia que Santa Cruz estava em paz, García foi chamado de radical e acusado de estar mentindo. A partir de então, seguidores do líder opositor começaram a ameaçá-lo.

Ele foi avisado que seu nome estava em uma lista de jornalistas a serem vigiados e limitados pelo novo ministério da comunicação, comandado por Roxana Lizárraga.

Profissionais dos canais América, canal 9, Crónica e Todo Notícias (emissora de notícias do Clarín) também foram vítimas de ameaças dos militantes anti-Evo Morales. Teresa Bo, da emissora Al Jazeera, recebeu um jorro de gás lacrimogêneo nos olhos enquanto fazia uma transmissão ao vivo.

Desde a renúncia de Evo Morales, as fake news têm invadido as redes sociais e incitado a violência entre grupos políticos opositores.

Várias casas e instalações públicas, entre elas a única rádio local e o posto da Polícia Nacional, foram incendiadas na cidade de Yapacaní, no Departamento de Santa Cruz.