Após protestos contra lei de mídia, premiê húngaro defende política interna do país

Após protestos contra lei de mídia, premiê húngaro defende política interna do país

Atualizado em 20/01/2011 às 11:01, por Redação Portal IMPRENSA.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, pediu aos deputados da Eurocâmara para não interferirem nos assuntos internos do país. A declaração foi feita após os parlamentares terem recepcionado Orban usando mordaças, em protesto contra a nova lei de comunicação social húngara.

Na última quarta-feira (19), o premiê foi a Assembleia de Estrasburgo, na França, para falar sobre as prioridades de sua presidência rotativa da União Europeia (UE), assumida no primeiro dia de 2011. Porém, o debate foi ofuscado pela manifestação dos deputados, que integram o grupo dos Verdes.

Em seu discurso, Orban pediu aos parlamentares para não confundirem "a política interna húngara" com a sua atuação à frente da UEM, segundo informou a agência EFE. "Se misturem os dois planos estou preparado para a luta, mas isso não prejudicará só a Hungria, mas toda a União", disse.

O líder socialista da Eurocâmara, Martin Schulz, declarou que "são os meios de comunicação que controlam o poder" em uma democracia, e que a nova lei de mídia "faz com que o poder seja responsável pelo controle da imprensa". "Por isso estamos tão preocupados", afirmou.

O primeiro-ministro chegou a ser chamado de "Hugo Chávez europeu" - presidente da Venezuela e criticado por opositores por cercear a liberdade de imprensa em seu país - pelo deputado Daniel Cohn-Bendit, que também criticou a lei húngara. "A informação equilibrada não existe. O senhor acredita que o senhor [Richard] Nixon achava a informação do Watergate equilibrada?", questionou, fazendo referência ao ex-presidente dos EUA.

O premiê húngaro voltou a afirmar que está disposto a cooperar com a Comissão Europeia para rever alguns pontos polêmicos da legislação de mídia, e lamentou as críticas sofridas. "Se alguém ataca meu país, eu vou defendê-lo", ressaltou.

A polêmica lei foi aprovada no dia 21 de dezembro de 2010, com 256 votos a favor e 87 contra. Além de determinar a criação de uma pasta que reúne supervisão da imprensa e das telecomunicações e controle dos canais de TV e rádio privados, jornais e portais da internet, o texto prevê aplicação de multas que podem chegar a 700 mil euros a jornalistas e proprietários de empresas de comunicação.

Porém, os critérios adotados para a aplicação de punições ainda são subjetivos, o que aumenta a oposição da UE a lei. O secretário de Estado para a Comunicação da Hungria, Zoltan Kovacs, chegou a declarar que as críticas não fariam com que a legislação sofresse alterações.

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