Após escrever texto contra machismo, blogueira do Brasil Post é vítima de ameaças
Artigo falava sobre machismo e misoginia em espaços na internet dedicados à discussão de cultura pop
Atualizado em 02/03/2015 às 10:03, por
Redação Portal IMPRENSA.
A jornalista Ana Freitas, blogueira do Brasil Post, virou alvo de ameaças de violência, estupro e perseguição depois de publicar um sobre machismo e misoginia em espaços na internet dedicados à discussão de cultura pop.
Crédito:Reprodução/Brasil Post Blogueira tem recebido mensagens e pacotes com diversos tipos de ameaças
O texto fala sobre como jovens, que se encaixam com o estereótipo de nerd, frequentam espaços de discussão na web em que a misoginia e o machismo são flagrantes e que podem se "transformar em máquinas de ódio". Segundo a publicação, nesses espaços, as mulheres não são toleradas e, em alguns casos, chamadas como praxe de "depósitos", um jeito curto de dizer "depósito de p*****".
"Nas últimas semanas, tenho recebido uma série de pacotes pelo correio, de todos os tamanhos e formas, vindos de todo tipo de destinatário, de grandes lojas a vendedores do Mercado Livre. Dentro deles, vêm brinquedos eróticos, esterco, vermes de mosca, livros para emagrecer, camisetas com montagens feitas a partir de fotos minhas, materiais de construção mais um monte de outras coisas que eu nem sei, já que durante um tempo resolvi recusá-los", relata ela em no Brasil Post.
Ana conta que anônimos do maior chan brasileiro, espécie de fórum de imagens e discussões baseado no formato do 4chan, encontraram e divulgaram dados pessoais dela, como endereço, telefone, fotos, vídeos. Também fizeram montagens, monitoraram seus passos usando serviços de localização em redes sociais e insinuaram que iriam nos mesmos lugares para "calar a boca dessa vadia".
Além disso, chegaram a ameaçar a jornalista e a família dela. "Algumas mensagens chegaram a expressar claramente que o objetivo era não parar até que eu cometesse suicídio, como aconteceu com algumas meninas que passaram por algo parecido nos EUA", conta.
Ana alerta que nem todos os usuários anônimos de um chan são criminosos, mas é preciso entender que todos são pessoas comuns e podem estar em qualquer lugar. "E se muitos deles só estão ali pelo porn e pelo anime, uma outra parte também está acordada de madrugada planejando transformar a vida de alguém que escreveu um texto em um inferno", explica.
"É por isso que o feminismo é tão necessário: porque é o machismo velado, aquele que é socialmente aceito e incentivado desde que a gente nasce, que planta em alguém os preconceitos necessários para que esse tipo de ódio floresça e seja alimentado por outros anônimos na internet", acrescenta. A jornalista diz que, por orientação de profissionais de defesa da liberdade de expressão e de advogados, permanecerá fora de casa por algum tempo. "O episódio me fez repensar questões profissionais e pessoais, morais e políticas, me fez pensar por quão pouco as pessoas estão dispostas a tentar calar opiniões diferentes, me fez questionar por um momento o anonimato na internet — continuo a favor dele, no entanto — mas, principalmente, me fez ver que eu estava indo pelo caminho certo", conclui.
Crédito:Reprodução/Brasil Post Blogueira tem recebido mensagens e pacotes com diversos tipos de ameaças
O texto fala sobre como jovens, que se encaixam com o estereótipo de nerd, frequentam espaços de discussão na web em que a misoginia e o machismo são flagrantes e que podem se "transformar em máquinas de ódio". Segundo a publicação, nesses espaços, as mulheres não são toleradas e, em alguns casos, chamadas como praxe de "depósitos", um jeito curto de dizer "depósito de p*****".
"Nas últimas semanas, tenho recebido uma série de pacotes pelo correio, de todos os tamanhos e formas, vindos de todo tipo de destinatário, de grandes lojas a vendedores do Mercado Livre. Dentro deles, vêm brinquedos eróticos, esterco, vermes de mosca, livros para emagrecer, camisetas com montagens feitas a partir de fotos minhas, materiais de construção mais um monte de outras coisas que eu nem sei, já que durante um tempo resolvi recusá-los", relata ela em no Brasil Post.
Ana conta que anônimos do maior chan brasileiro, espécie de fórum de imagens e discussões baseado no formato do 4chan, encontraram e divulgaram dados pessoais dela, como endereço, telefone, fotos, vídeos. Também fizeram montagens, monitoraram seus passos usando serviços de localização em redes sociais e insinuaram que iriam nos mesmos lugares para "calar a boca dessa vadia".
Além disso, chegaram a ameaçar a jornalista e a família dela. "Algumas mensagens chegaram a expressar claramente que o objetivo era não parar até que eu cometesse suicídio, como aconteceu com algumas meninas que passaram por algo parecido nos EUA", conta.
Ana alerta que nem todos os usuários anônimos de um chan são criminosos, mas é preciso entender que todos são pessoas comuns e podem estar em qualquer lugar. "E se muitos deles só estão ali pelo porn e pelo anime, uma outra parte também está acordada de madrugada planejando transformar a vida de alguém que escreveu um texto em um inferno", explica.
"É por isso que o feminismo é tão necessário: porque é o machismo velado, aquele que é socialmente aceito e incentivado desde que a gente nasce, que planta em alguém os preconceitos necessários para que esse tipo de ódio floresça e seja alimentado por outros anônimos na internet", acrescenta. A jornalista diz que, por orientação de profissionais de defesa da liberdade de expressão e de advogados, permanecerá fora de casa por algum tempo. "O episódio me fez repensar questões profissionais e pessoais, morais e políticas, me fez pensar por quão pouco as pessoas estão dispostas a tentar calar opiniões diferentes, me fez questionar por um momento o anonimato na internet — continuo a favor dele, no entanto — mas, principalmente, me fez ver que eu estava indo pelo caminho certo", conclui.





