Após determinação judicial, Globo reintegra diretor de imagem demitido sem justa causa

Decisão judicial atende ao pedido do diretor de imagem Raul Gomes Wilches, que fora demitido em março sem uma justificativa oficial da emiss

Atualizado em 15/10/2014 às 16:10, por Christh Lopes*.

O diretor de imagem Raul Gomes Wilches foi contemplado com a decisão da Justiça do Trabalho que o reintegrou a seu cargo na Rede Globo. Após 20 anos dedicados à emissora, o profissional havia sido demitido sem justa causa, o que não é permitido pela constituição. O caso fomenta a suspeita de que o canal não cumpre uma cota que reserva vagas em seus quadros para pessoas com deficiência.
Crédito:Reprodução/Google Editor de imagem foi reintegrado ao trabalho na emissora após decisão judicial
Portador de necessidades especiais, o radialista alega na ação que foi sumariamente afastado sem uma justificativa oficial que abonasse o ato. Seis meses depois, ele reconquistou a estabilidade e o direito que indagou em juízo. O advogado que representa o profissional, Kiyomori André Galvão Mori, destaca que a medida favorece os interesses sociais expostos no episódio.
“Ele reivindica um direito numa organização que possui papel social. Ela faz campanhas, projetos, programas como o ‘Globo Cidadania’ e ela mesma não cumpre o projeto, conforme mostra um inquérito no Ministério Público, que diz justamente isso”, afirma Mori. Os próximos passos da defesa, conforme conta, será informar o Ministério Público sobre o precedente aberto com a medida.
No órgão de investigação, tramita um inquérito civil que apura irregularidades que a TV Globo teria cometido com base na Lei nº 8.213/91. Ela estabelece que uma empresa que possui cem ou mais funcionários está obrigada a preencher de 2 a 5% das vagas preenchidas por pessoas com deficiência. No entanto, o canal não estaria cumprindo a determinação legislativa.
Segundo justifica em sentença a magistrada Valéria Nicolau Sanchez, da 66ª Vara do Trabalho de São Paulo, os critérios definidos na lei não foram adotados. “Há que se atentar para a função social da empresa, bem como aos princípios da valorização do trabalho, fundamento da República Federativa do Brasil, e da busca do pleno emprego, princípio geral da atividade econômica”, afirma.
A juíza disserta ainda que princípios da continuidade da relação de emprego, da proteção e da dignidade da pessoa humana devem ser assegurados, de acordo com a exigência legal. Procurada, a responsável pelo inquérito civil que aponta irregularidades na emissora não foi encontrada.

À IMPRENSA, o canal informa que por sua vez não comenta ações sob júdice. Caso queira recorrer, a Globo pode entrar com recurso.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves