Após cinco anos, “Forbes Brasil” renasce com lista inédita de bilionários brasileiros

Desde 2007, ano de término do contrato da Forbes Inc. com a Companhia Brasileira de Mídia (CBM), do empresário Nelson Tanure, a versão brasileira da publicação não era editada no país.

Atualizado em 19/07/2012 às 14:07, por Guilherme Sardas.

Agora, a Forbes Brasil volta a ser editada com nova gestão [editora BPP] e tiragem de 50 mil exemplares. A previsão de chegada às bancas é 31 de julho. Arquivo pessoal
Ronny Hein, editor-chefe da Forbes Brasil


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“A revista não tem nada a ver com a da fase anterior, que faltava estrutura, controle e nem era autorizada porque os direitos não vinham sendo pagos. É uma pena que a marca tenha saído chamuscada dessa história”, afirma Ronny Hein, editor-chefe da publicação, que terá ainda Antonio Camarotti como publisher .


Segundo Hein, a proposta central do grupo é tropicalizar a publicação, atendo-se à fórmula já consagrada da Forbes americana com menos economia, números e investimentos e mais negócios, lifestyle e histórias dos homens e mulheres por trás das grandes ideias empreendedoras.


“Revistas como Exame , IstoÉ Negócios e outras não serão nossas concorrentes. A Forbes se volta menos para CGCs e mais para CPFs”, diz o editor, que assegura que a exaltação da riqueza, vocação da marca, não muda por aqui. “No mundo inteiro, a Forbes é capitalista, a favor da livre iniciativa e pensa que riqueza é mérito. Não vamos esconder isso de ninguém”.


A primeira capa traz a lista inédita de bilionários brasileiros (por enquanto, foram apurados mais de 80 nomes), primeiro passo para estimular nova tradição no país. “Nos EUA, ninguém tem problema em falar sobre riqueza. Aqui, vamos iniciar essa tradição. Com estas e outras listas, vamos mostrar a cara do Brasil endinheirado”.


Com passagens pela revista Manchete , TV Record, Estadão e longa carreira voltada à criação e direção de revistas de turismo, como Viagem e Turismo , Caminhos da Terra , Próxima Viagem e Long Planet , Hein falou à IMPRENSA sobre estes e outros temas. Confira:


Para o “topo da pirâmide”

Nós vamos assumir essa posição de ser uma revista voltada para esse público do “topo da pirâmide”, mas sem ser fútil. Esse público existe, consome muito, e se esconde muito. Eventualmente, isso implica em um trabalho de apuração mais complicado, mas, por outro lado, vamos mostrar que não somos uma revista de denúncias. Quando fazemos uma matéria sobre helipontos públicos no Brasil, por exemplo, estamos visando pessoas que consomem esses helipontos.


Menos números, mais pessoas

Não estamos atrás de números, números e mais números. Vamos muito mais fundo no lado pessoal. Queremos aproximar do público aquelas pessoas que parecem viver em suas "torres de marfim", elas são de verdade. Não precisamos falar da fusão da empresa tal com a empresa tal, mas eventualmente queremos fazer uma suíte do tema, usando um personagem que foi relevante nessa fusão.


A volta da revista

Tem a ver com o fato de a revista estar no mundo inteiro e, dos chamados BRICs [Brasil, Rússia, ìndia e China], o único país que não tinha a Forbes era o Brasil. Além disso, é a maior e mais importante revista de negócios do mundo. Na versão brasileira, serão mais ou menos 40% de material estrangeiro e 60% de nacional, porque a Forbes americana tem muito material de interesse para o leitor brasileiro, apesar de ter muito material regional também.


Os bilionários brasileiros

A primeira capa terá a primeira lista de bilionários brasileiros. Fizemos com a metodologia da Forbes e com a assessoria de empresas um levantamento muito difícil para descobrir quem aqui no Brasil é realmente bilionário. A lista ainda não está fechada, mas chegar perto de 80 nomes, sabendo que vão ficar de fora mais 100 ou 200, que não se consegue comprovar. No Brasil, com o sigilo tributário e empresas de capital fechado, não conseguimos chegar em fortunas que são óbvias.


A feitura da lista

Há várias formas de se fazer, a principal delas é verificar o que a pessoa tem em ativos na Bolsa de Valores, e vamos multiplicando com valor de propriedades, por exemplo. É uma metodologia bastante ampla, fontes também ajudam. É evidente que gostaríamos de falar com pessoas que não têm nenhum problema em falar sobre isso, como acontece nos EUA. Aqui no Brasil, nós vamos iniciar essa tradição, não só nessa lista de bilionários, mas em outras listas também.