Aos 70 anos, Jennings segue buscando boas histórias e investigando corruptos
Atualizado em 09/01/2013 às 16:01, por
Camilla Demario*.
Para ele, o maior prêmio que já recebeu foi uma sentença de prisão. Sua carreira de jornalista investigativo começou com a denúncia de corrupção dentro da polícia londrina Scotland Yard. Em seguida, investigou a máfia italiana e a rota da heroína entre Palermo e Inglaterra, sendo o primeiro jornalista ocidental a filmar na Chechênia. Em 1992 revelou o passado fascista do então presidente do Comitê Olímpico Internacional, Juan Antonio Samaranch, e a corrupção dentro da organização – o que lhe rendeu o pedido de prisão e seu primeiro livro, “Os Senhores dos Anéis” (1992). Atualmente é o único jornalista do mundo proibido pelo próprio presidente da FIFA, Joseph Blatter, de cobrir coletivas da entidade.
Alf Ribeiro Andrew Jennings Andrew Jennings, nascido na Escócia, veste-se como se estivesse indo para um safári. Seus olhos azuis, sempre atentos, seguem o ritmo da fala rápida, muitas vezes acompanhada por caretas. Bem - humorado, o jornalista diz não ter medo de ser morto por seus inimigos (Scotland Yard, máfia italiana, FIFA), sugere sem rodeios que os brasileiros são “otários incorrigíveis” e não se conforma com o nome do estádio construído em 2006, no Rio de Janeiro, para os Jogos Pan-Americanos: João Havelange.
Fã de Romário, ele admite não entender nada de futebol e reforça que não é um jornalista esportivo. Enquanto não está viajando pelo mundo atrás de boa história, ou divulgando seu livro mais recente, “Jogo Sujo – O Mundo Secreto da FIFA” (2006), o jornalista gosta de cuidar das flores do seu jardim na fazenda onde mora em Penrith, no norte da Inglaterra.
O lado tranquilo do jornalista surge ao falar sobre sua carreira e como conquistou técnicas de apuração e investigação. Mas a calmaria logo passa quando o nome de Ricardo Teixeira é citado, e entre gestos largos e expressões polêmicas – e um pouco escatológicas – Jennings se define como um profissional determinado. Mesmo reforçando que não é um jornalista esportivo – com críticas especialmente dedicadas aos repórteres de esporte da BBC, onde apresenta o programa “Panorama” –, Jennings confessa que gostaria de ver a Escócia ganhar algum título de vez em quando e acredita que o Brasil irá ganhar a Copa de 2014.
Confira a seguir a entrevista exclusiva de Andrew Jennings à IMPRENSA.
IMPRENSA – Você se considera um jornalista esportivo ou investigativo? Andrew Jennings - Por muitos e muitos anos eu fiz todos os tipos de jornalismo, cobri política, economia, essas coisas “normais” no jornalismo. E é isso que eu amo. Hoje eu não sei o que vou fazer amanhã, porque amanhã eu terei uma nova história! Então sou um repórter investigativo. No esporte comecei há 20 anos, cobrindo o Comitê Olímpico Internacional, mas não sou um jornalista esportivo, então nem me mande para um jogo, é capaz de eu voltar com o placar anotado errado. Desculpe, Romário! (risos). E, como repórter investigativo, sei uma coisa que os jornalistas esportivos não compreendem, que é: “Vá atrás dos documentos”.
Como começou a cobrir a FIFA? Primeiro, a definição do jornalismo investigativo é: uma organização, um governo ou uma empresa diz “Esta é a nossa missão, nossos valores, queremos fazer um mundo melhor, blábláblá”. Se você olhar por trás disso e descobrir que estão fazendo o oposto, você tem uma matéria! Talvez você demore muitos, muitos anos para descobrir algo assim. Passei muitos anos investigando o COI e, quando escrevi meu primeiro livro, “Os Senhores dos Anéis”, recebi uma sentença de prisão de cinco dias, o maior prêmio que eu já ganhei na minha carreira (risos). Na época, eu já pensava na FIFA quando um jornal de Londres veio até mim e perguntou: “Você investigaria a FIFA para a gente?”. Eu não podia recusar. Eu teria o espaço que quisesse no jornal, orçamento livre, poderia viajar o mundo todo, conversar com dezenas de pessoas, e era um bom dinheiro. E foi assim que eu comecei a cobrir a FIFA.
*Com Jéssica Oliveira
Leia a entrevista completa na edição de janeiro/fevereiro (286) de IMPRENSA.
Alf Ribeiro Andrew Jennings Andrew Jennings, nascido na Escócia, veste-se como se estivesse indo para um safári. Seus olhos azuis, sempre atentos, seguem o ritmo da fala rápida, muitas vezes acompanhada por caretas. Bem - humorado, o jornalista diz não ter medo de ser morto por seus inimigos (Scotland Yard, máfia italiana, FIFA), sugere sem rodeios que os brasileiros são “otários incorrigíveis” e não se conforma com o nome do estádio construído em 2006, no Rio de Janeiro, para os Jogos Pan-Americanos: João Havelange.
Fã de Romário, ele admite não entender nada de futebol e reforça que não é um jornalista esportivo. Enquanto não está viajando pelo mundo atrás de boa história, ou divulgando seu livro mais recente, “Jogo Sujo – O Mundo Secreto da FIFA” (2006), o jornalista gosta de cuidar das flores do seu jardim na fazenda onde mora em Penrith, no norte da Inglaterra.
O lado tranquilo do jornalista surge ao falar sobre sua carreira e como conquistou técnicas de apuração e investigação. Mas a calmaria logo passa quando o nome de Ricardo Teixeira é citado, e entre gestos largos e expressões polêmicas – e um pouco escatológicas – Jennings se define como um profissional determinado. Mesmo reforçando que não é um jornalista esportivo – com críticas especialmente dedicadas aos repórteres de esporte da BBC, onde apresenta o programa “Panorama” –, Jennings confessa que gostaria de ver a Escócia ganhar algum título de vez em quando e acredita que o Brasil irá ganhar a Copa de 2014.
Confira a seguir a entrevista exclusiva de Andrew Jennings à IMPRENSA.
IMPRENSA – Você se considera um jornalista esportivo ou investigativo? Andrew Jennings - Por muitos e muitos anos eu fiz todos os tipos de jornalismo, cobri política, economia, essas coisas “normais” no jornalismo. E é isso que eu amo. Hoje eu não sei o que vou fazer amanhã, porque amanhã eu terei uma nova história! Então sou um repórter investigativo. No esporte comecei há 20 anos, cobrindo o Comitê Olímpico Internacional, mas não sou um jornalista esportivo, então nem me mande para um jogo, é capaz de eu voltar com o placar anotado errado. Desculpe, Romário! (risos). E, como repórter investigativo, sei uma coisa que os jornalistas esportivos não compreendem, que é: “Vá atrás dos documentos”.
Como começou a cobrir a FIFA? Primeiro, a definição do jornalismo investigativo é: uma organização, um governo ou uma empresa diz “Esta é a nossa missão, nossos valores, queremos fazer um mundo melhor, blábláblá”. Se você olhar por trás disso e descobrir que estão fazendo o oposto, você tem uma matéria! Talvez você demore muitos, muitos anos para descobrir algo assim. Passei muitos anos investigando o COI e, quando escrevi meu primeiro livro, “Os Senhores dos Anéis”, recebi uma sentença de prisão de cinco dias, o maior prêmio que eu já ganhei na minha carreira (risos). Na época, eu já pensava na FIFA quando um jornal de Londres veio até mim e perguntou: “Você investigaria a FIFA para a gente?”. Eu não podia recusar. Eu teria o espaço que quisesse no jornal, orçamento livre, poderia viajar o mundo todo, conversar com dezenas de pessoas, e era um bom dinheiro. E foi assim que eu comecei a cobrir a FIFA.
*Com Jéssica Oliveira
Leia a entrevista completa na edição de janeiro/fevereiro (286) de IMPRENSA.





