Alto índice de penetração explica importância do rádio no Brasil

Alto índice de penetração explica importância do rádio no Brasil

Atualizado em 25/09/2008 às 13:09, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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Nesta quinta-feira (25), comemora-se no Brasil o "Dia do Rádio". Apesar da primeira transmissão radiofônica do país ter acontecido em 7 de setembro de 1922 - na comemoração do centenário da independência, com um discurso do então presidente Epitácio Pessoa - o veículo é homenageado no dia do nascimento de Roquete Pinto -fundador da primeira emissora do país (a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923), e considerado o "pai" do rádio brasileiro.

Thaís Naldoni
Marilu Cabañas
Mas a data merece comemoração? O Portal IMPRENSA entrevistou a jornalista Marilu Cabañas, repórter do programa "Atenção Brasil", jornal transmitido pela Rádio Cultura. Para ela, o dia deve servir para refletir sobre a profissão e o papel social do rádio. "A gente tem que comemorar e refletir. O rádio é um veículo excelente para trabalhar, mas nem sempre os profissionais conseguem exercer a função da maneira como sonhavam. Seria muito interessante se todos exercessem o papel social do jornalismo, e não são todas as chefias que entendem isso. Devemos pensar nosso papel como jornalistas dos meios de comunicação", diz.

Surgimento de novos meios de comunicação

Oficialmente, o rádio foi inventado em 1896, pelo italiano Guglielmo Marconi. Desde então, democratizou a informação e imperou sobre os espectadores de uma forma nunca vista antes. Com o advento da televisão, da internet e do celular, muitos pensaram que ele perderia sua primazia. Mas, segundo Marilu, o que acontece é exatamente o contrário. "A idéia futura é que a internet mescle todos os meios de comunicação: TV, texto, rádio. Essa é uma fusão que propicia o rádio. Agora ele pode ser ouvido em qualquer parte do mundo, a internet só dá um ganho a mais para o rádio".

Elias José Novellino, professor de radiojornalismo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), se considera um otimista em relação ao rádio, para ele um "instrumento potente de comunicação". Ele conta que "os alunos se surpreendem com o potencial do rádio. É como um mundo que eles não conheciam, é um meio potente, que retrata situações tão vívidas só pela voz".

Função do rádio

E em que o rádio deveria melhorar? Para o professor, "jornalisticamente a rádio sofre do mesmo mal que sofrem outros meios, que é o pouco investimento em grandes reportagens". Já Marilu acha que é necessário atentar para a função social do veículo. "No Brasil são tantas as dificuldades sociais e o rádio tem um alcance que nenhum outro meio de comunicação tem, ele consegue atingir várias camadas da sociedade".

Ela vê o rádio como um meio transformador da realidade, e os profissionais que nele trabalham como detentores desse poder de mudança. "Eu acho que é a nossa função, se nós jornalistas temos esse poder, por que não exercê-lo? Deveríamos refletir sobre o que poderíamos fazer mas não estamos fazendo".