Alexandre Raposo, o presidente da Record, decreta:
Alexandre Raposo, o presidente da Record, decreta:
Em 31 de janeiro último, o publicitário Alexandre Raposo, 34, assumiu a presidência da Rede Record, ocupando o lugar do advogado Dennis Munhoz. Executivo habilidoso e frequentador dos cultos da Universal, Raposo teve uma trajetória fulminante da emissora de Edir Macedo. Em 11 anos dirigiu duas das mais rentáveis emissoras do grupo: TV Itapoan, na Bahia, e a Record Rio. Nesta entrevista para IMPRENSA, Raposo fala da estratégia para derrubar a Globo da liderança, da delicada relação entre a Igreja Universal e TV e afirma: "A Record tem autonomia total em relação a Universal" *
IMPRENSA - O sr é o presidente mais novo da TV brasileira. Tem só 34 anos. Um verdadeiro "garoto prodígio" dos negócios...
Raposo - Quando me olham não imaginam que tenho só 34 anos. Como assumi responsabilidades muito cedo, acabei envelhecendo, ou melhor, amadurecendo, mais rápido. Enfim...sou jovem mas tenho 12 anos de experiência em TV. O resultado da minha administração nas outras emissoras da Record (TV Itapoan, na Bahia, e Record Rio) me qualificaram para o cargo. Na Europa e nos E.U.A é muito comum haver presidentes de grandes empresas com menos de 40 anos. Lá os profissionais se formam muito cedo.
IMPRENSA - A Igreja Universal tem investido muito na Record?
Raposo - Não tem como haver investimento da Universal porque ela não é dona da Record. A Igreja é um cliente da televisão, nós cobramos um valor pelo horário, como acontece com a Igreja da Graça na Bandeirantes, com a Renascer na RedeTV. Não há aporte da Igreja. A Record se sustenta sozinha, com dinheiro de seus clientes. Tivemos um grande crescimento ano passado, de quase 50% em audiência e faturamento. Só neste trimestre, crescemos mais de 40% em relação ao ano passado.
IMPRENSA - O sr frequenta a igreja e é muito mais ligado á Universal que seu antecessor, o advogado Dennis Munhoz, que ficou 2 anos no cargo. Essa mudança de comando significa menos independência e mais participação da Igreja nas decisões da empresa?
Raposo - O dono da Record é o Bispo Macedo, mas a relação entre a Igreja e a TV é de cliente. A mudança na direção da emissora buscou apenas mais profissionalismo. Saiu um presidente que tinha 4 anos de TV (Dennis Munhoz) e entrou outro com 12 anos de experiência. Essa mudança mostrou que a Record quer um profissional de mercado no comando. Não há interferência nenhuma da Universal na programação. A Igreja só tem um horário na madrugada. Vou te dar um exemplo: na morte do Papa, a Record foi a primeira emissora a dar notícia. Temos feito a cobertura normalmente. Não temos ninguém da direção que seja da Igreja.
IMPRENSA - O sr conversa sempre com o Edir Macedo? Qual a relação dele com a emissora hoje em dia?
Raposo - Existem as pessoas aqui dentro em quem ele confia, mas ele nos dá muita liberdade. Nós temos um orçamento e tocamos ele. Ele (Edir Macedo) não se envolve. Esteve aqui, na Sexta feira, depois de 2 anos que não vinha na Record. Almoçou conosco e tal. Como proprietário ele tem gostado muito do trabalho que estamos fazendo.
IMPRENSA - Qual o seu grande objetivo na presidência da Record?
Raposo - Ser líder. E para ser líder, temos que passar pelo segundo, que é o SBT. Essa briga está super interessante, aguerrida. Temos empatado quase todos os dias na audiência. Temos, ainda, a meta de alcançar um faturamento de R$ 700 milhões esse ano.
IMPRENSA - Esse é o discurso oficial da Record há muito tempo. Mas, afinal, em quanto tempo o sr espera alcançar esta liderança?
Raposo - A Record consolidou sua cobertura de rede entre 1998 e 2000. Sendo assim, estamos há apenas 5 ou 6 anos disputando de igual para igual com a emissora líder. Nosso discurso sempre foi a liderança porque nós temos esse foco. Essa realidade (de alcançar a liderança) está mais perto do que nunca. Hoje, nós somos o terceiro brigando pelo segundo lugar na audiência. Entre esse ano e o ano que vem queremos consolidar o segundo lugar. Acho que chegaremos lá em mais 1,2 ou 3 anos. Mas é difícil definir.
IMPRENSA - Vocês estão buscando essa liderança inspirados no padrão de qualidade da Globo? Alguns programas da Record, como o "Domingo Espetacular" e o "Repórter Record" são simplesmente idênticos ao similares da Globo...
Raposo - A Record tem buscado um padrão próprio. Nosso jornalismo tem opinião, o da Globo não. Nossos programas de esporte são mais descontraídos enquanto os da Globo são muito mais formais. O padrão visual é muito parecido porque os equipamentos são iguais. A Record fez (em 2004) uma grande aquisição de equipamentos de alta tecnologia que a Globo já detinha. Nosso objetivo é superar o padrão Globo.
IMPRENSA - Mas o sr reconhece que alguns programas da Record são idênticos aos da Globo?
Raposo - Nos inspiramos na CNN, Discovery Channel, Discovery Kids, National Geográfic. Nós inspiramos neles, em algo maior, não no Globo Repórter.
IMPRENSA - A Record tem absolvido boa parte da mão de obre que deixa a Globo. Isso não inflaciona o mercado?
Raposo - O mercado vem se ajustando naturalmente nos últimos tempos. Os salários de apresentadores, atores e atrizes tem mantido o mesmo nível. Dizem que a Globo já não mantém contrato com todos os seus atores. Em vez disso estariam pagando por obra.
IMPRENSA - Jornalismo dá Ibope ou é importante apenas para valorizar institucionalmente a marca da emissora?
Raposo - Sem dúvida dá Ibope. O Boris Casoy é o segundo (em audiência no horário). O "Repórter Record" e o "Domingo Espetacular" também tem alcançado o segundo. Além de audiência, jornalismo dá credibilidade.
IMPRENSA - Com que fatia ficou o jornalismo nos últimos investimentos feito pela Record?
Raposo - O jornalismo recebeu cerca de 35% do nosso investimento no ano passado (de U$ 30 milhões). Contratamos novos apresentadores para o "Fala Brasil", o Celso (Freitas), a Lorena (Calábria). Contratamos novos editores Só para melhorar a parte gráfica gastamos entre 3 e 4 milhões de dólares.
IMPRENSA - Onde a Record tem buscado novos talentos para o departamento de jornalismo? Em março vocês deram um grande furo com a história do Victor Imbroglione. Fazia muito tempo que isso não acontecia.
Raposo - Nós temos uma grande escola aqui dentro. Além de ir buscar que está brilhando no mercado, formamos muitos profissionais. Investimos nos jovens, nos novos.
IMPRENSA - Quantas pessoas trabalham no departamento de jornalismo da Record?
Raposo - Mais de 400.
IMPRENSA - Por que substituir o (Luis Gonzaga) Mineiro pelo (Douglas) Tavolaro na direção do jornalismo?
Raposo - Essa não foi uma decisão minha. Eu não estava aqui ainda quando aconteceu. Não sei qual o motivo, só sei que foi uma mudança interessante. O Mineiro é um grande profissional, mas o resultado que temos hoje é muito superior. Nossos telejornais não param de crescer em audiência. O "Cidade Alerta", que estava em uma certa decadência, dando 5 ou 6 pontos (de audiência) deu uma retomada, com índices de 13, 14, até 15 pontos. Isso deve ao novo diretor e toda sua equipe.
IMPRENSA - Por que a novela Metamorphoses, um dos grandes investimentos do ano passado, foi um fracasso?
Raposo - Faltou experiência nossa e de quem produziu. Não gosto de dizer que não deu certo. Prefiro dizer que foi uma experiência não bem sucedida que serviu como aprendizado. A grande reposta a Metamorphoses foi a Escrava Izaura, que foi um grande sucesso. Temos um grande projeto de teledramaturgia. Pretendemos abrir outros horários para isso.
* Veja entrevista na íntegra na edição de maio de IMPRENSA






