Agência Pública realiza investigação participativa para apurar o papel da religião nas eleições brasileiras

A Agência Pública iniciou uma nova investigação participativa como parte de sua cobertura das eleições municipais de 2020

Atualizado em 29/10/2020 às 10:10, por Kassia Nobre.

. A iniciativa tem o objetivo de apurar qual o papel da religião nas eleições brasileiras.
“Sabemos que a restrição a eventos presenciais por causa da pandemia pode tornar os templos lugares atraentes para campanhas, por isso queremos saber como templos de diferentes religiões estão apoiando candidatos, de que forma políticos estão participando de celebrações religiosas presenciais ou online, enfim, que papel a religião está desempenhando nessa eleição”, explica Giulia Afiune, editora de audiências da Agência Pública.
Para isso, a Pública criou canais para que pessoas de todo o Brasil enviem relatos e denúncias por meio de questionário, email ou WhatsApp.
“Assim como fizemos durante a pandemia, criamos canais para que as pessoas possam nos ajudar a identificar pautas interessantes relacionadas às eleições. A partir daí, seguiremos a apuração usando os métodos tradicionais do jornalismo investigativo e, sempre que necessário, buscaremos novamente a ajuda do público. Ainda é cedo para saber que pautas serão feitas, mas acreditamos que esse assunto precisa ser investigado especialmente no Brasil, onde fé e política caminham lado a lado”, complementa Giulia.

Crédito:Agência Pública

Investigação sobre a pandemia A editora afirma ainda que a investigação participativa sobre a pandemia ilustrou bem como funciona esse método de reportagem.

“Quando colocamos o questionário sobre a crise do coronavírus em nosso site, recebemos inúmeros relatos de todo o Brasil sobre prefeituras que estavam distribuindo "kits Covid" com medicamentos comprovadamente ineficazes. Como os relatos vinham de pessoas de norte a sul, percebemos que aquilo estava ocorrendo em todo o país, e não era um fenômeno restrito a algum estado ou região. Então, passamos a investigar em que outras cidades isso estava acontecendo, quais eram os protocolos municipais e que argumentos os prefeitos estavam utilizando para o uso desses medicamentos, como a distribuição estava sendo feita etc. Descobrimos que a distribuição de cloroquina e ivermectina está ocorrendo em inúmeras cidades Brasil afora, contrariando as recomendações da OMS, mas ecoando o discurso do presidente Bolsonaro”.
A partir dos relatos, a agência publicou o especial "Era uma vez no país da cloroquina", fruto da investigação participativa sobre o coronavírus.
“Os relatos que recebemos de alguns leitores chamaram nossa atenção para um problema de dimensão nacional que, quando investigado a fundo, se desdobrou em um especial com onze reportagens investigativas”.
Engagement reporting A Pública iniciou as investigações participativas inspiradas por iniciativas similares que outras redações fora do Brasil já adotam.

“Sabemos que as pessoas conhecem sua própria realidade melhor do que ninguém. Por isso, quando o público nos conta sobre os problemas que enfrenta em sua comunidade, ele nos ajuda a identificar possíveis violações de direitos que precisam ser investigadas. Assim descobrimos pautas surpreendentes, interessantes e relevantes que não conheceríamos de outra forma, uma vez que não vivemos aquela situação no dia a dia. As investigações participativas são importantes para a Pública porque acreditamos que a participação do público no processo de apuração das reportagens potencializa e fortalece o nosso jornalismo”, finaliza Giulia.

Como participar Para enviar o relato sobre campanha eleitoral em templos religiosos, a pessoa pode responder este . Se preferir, pode mandar um email para participe@apublica.org ou uma mensagem no WhatsApp para (11) 98886-9401.