"Acredito no papel social do jornalismo", diz Letícia Duarte, da "Zero Hora"

Em 2002, a gaúcha Letícia Duarte estava no último ano de faculdade e trabalhava do jornal Pioneiro, de Caxias do Sul (RS). Além do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), atividade acadêmica que marca esse período, e do início da sua carreira como jornalista, ela tem outro motivo para lembrar a época: a conquista de um Prêmio Esso de Jornalismo, na categoria Regional Sul, pela série “Adolescência prostituída”, sobre a prostituição na região.

Atualizado em 24/01/2014 às 09:01, por Jéssica Oliveira.

Duarte estava no último ano de faculdade e trabalhava do jornal Pioneiro , de Caxias do Sul (RS). Além do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), atividade acadêmica que marca esse período, e do início da sua carreira como jornalista, ela tem outro motivo para lembrar a época: a conquista de um Prêmio Esso de Jornalismo, na categoria Regional Sul, pela série “Adolescência prostituída”, sobre a prostituição na região.

Nascia aí uma das principais características do trabalho de Letícia: as reportagens de fôlego, de imersão, especialmente voltadas para questões sociais. “Acredito muito no papel social do jornalismo, de ajudar a sociedade a refletir sobre os seus problemas. Às vezes, a gente esquece e acaba se acostumando com eles como se fossem naturais, da paisagem, de tanto ver”, afirma.
Crédito:Celso Chittolina A jornalista concilia as pautas do dia a dia com as reportagens de fôlego
A profissional está na Zero Hora desde 2003. Entre suas reportagens recentes e marcantes estão a “Lições da turma 11F” (2013), em que passou um ano acompanhando uma turma de Ensino Médio de uma escola pública; a “Mulheres marcadas pelo câncer” (2007), feita a partir de oito meses acompanhando duas mulheres com câncer de mama; e “Herdeiros da Aids” (2004), sobre o dia a dia de um grupo de pré-adolescentes de Porto Alegre que nasceram com o HIV, suas famílias e o papel do Estado e das ONGs que trabalham com as crianças.

Mais de mil dias olhando para rua Dez anos depois do primeiro Esso, em 2012 veio o segundo, dessa vez Nacional, pela reportagem “Filho da Rua”. De 2009 a 2011, Letícia acompanhou a rotina de um adolescente morador de rua e usuário de crack, na cidade de Porto Alegre. A história do jovem analfabeto Felipe (nome fictício para preservar sua identidade) mostrou um cenário de desestrutura familiar, projetos sociais fracassados, pobreza e falta de horizontes. Além do Esso, a reportagem rendeu um Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos, na categoria especial, entre outras distinções.

Em 2014, Letícia é finalista na categoria “Repórter de jornal” no Troféu Mulher IMPRENSA. Para a profissional, a indicação ainda é um eco da reportagem “Filho da Rua”. “É sempre importante valorizar o trabalho da imprensa. Somos teimosos, vivemos contrariando e incomodando interesses, remando contra a maré. Perceber que há esse reconhecimento social e da classe acreditando no papel das grandes reportagens é um incentivo para continuar”, afirma.

Ela concorre ao lado das jornalistas Lúcia Helena de Camargo, do Diário do Comércio ; Maria Lima, d' O Globo ; Cláudia Trevisan, d' O Estado de S. Paulo ; e Eliane Trindade, da Folha de S.Paulo . “Fiquei muito feliz. É uma honra estar nessa lista. As mulheres estão num processo de conquista em alguns setores da sociedade e no jornalismo não é diferente”, diz.
O "Troféu Mulher IMPRENSA" é realizado e idealizado por IMPRENSA Editorial. Em 2014, a premiação celebra sua 10ª edição consecutiva, e vai homenagear as jornalistas que mais se destacaram em suas áreas de atuação em 2013. As votações vão de 14 de janeiro de 2014 até às 23h59 de 13 de fevereiro. Para mais informações e conhecer a lista de finalistas, clique .