"A sociedade não quer o jornalista militante, quer o jornalista neutro", diz Nelson Breve

Jornalista se prepara para deixar a EBC e assumir a Secretaria de Imprensa da Presidência da República

Atualizado em 06/07/2015 às 09:07, por Redação Portal IMPRENSA.

Em entrevista ao portal iG, o jornalista , que se prepara para deixar a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e assumir a Secretaria de Imprensa da Presidência da República, falou sobre os rumos da emissora, a credibilidade do jornalismo público e a militância dos profissionais de imprensa.
Crédito:Agência Brasil Breve defendeu neutralidade dos jornalistas na cobertura diária
Questionado sobre a possibilidade de a EBC alcançar um modelo semelhante ao da BBC inglesa, Breve diz acreditar ser possível, mas por uma "ótica diferente". "Somos um modelo mais federativo, como a PBS nos Estados Unidos, formada por várias emissoras públicas. A BBC é um espelho para nós no sentido do que ela representa para os britânicos, no sentido de buscar esta referência como algo de credibilidade e orgulho", explicou.
Para o jornalista, é preciso trabalhar em parceria com a produção independente e programar conteúdos multimídia junto a conceitos para todas as plataformas. Breve destaca que a ligação com o poder público não é um impeditivo para fazer um bom jornalismo.
"A questão não está em quem nomeia: a questão está em quem fiscaliza. Eu tenho dentro da empresa um conselho formado pela sociedade civil que fiscaliza todo conteúdo nosso, nossa programação, dá diretrizes de programação", afirmou.
Ao comentar sobre a eventual possibilidade do jornalista virar um reprodutor de assuntos que são de interesse do governo, Breve ressalta que a "militância" é "intolerável" para o jornalista. "Ele quebra o seu contrato social com a sociedade", criticou.

"A sociedade não quer o jornalista militante, quer o jornalista neutro, que retrate uma situação a partir de seus vários ângulos, a partir de seus vários pontos de vista, para que o cidadão, aí sim, diante da informação descontaminada de pontos de vista, possa formar sua opinião", acrescentou.