A notícia como espetáculo - Por Michelle Adelário / FADOM (MG)
A notícia como espetáculo - Por Michelle Adelário / FADOM (MG)
Atualizado em 06/04/2005 às 12:04, por
Michelle Adelário e Aluna do curso de Jornalismo das Faculdade Integradas do Oeste de Minas.
Por Guerra do tráfico no Rio de Janeiro. Longe daqui os Estados Unidos atacam o Iraque. De repente estamos em 11 de Setembro de 2001 e o mundo se abala com a explosão das Torres Gêmeas no World Trade Center, em Nova York. Imagens, imagens, imagens. A impressão que temos é que os apresentadores dos telejornais gostariam de anunciar ao final de cada edição: "a seguir cenas do próximo capítulo". Cenas chocantes são escolhidas para sensibilizar o telespectador e claro, garantir a audiência diária.
O assunto não se esgota e o termo espetacularização já virou moda, principalmente entre os jornalistas ou aspirantes que se consideram sabichões e politicamente corretos. Mas, é sempre bom falar sobre o tema, que pega bem em qualquer rodinha de estudantes preocupados em discutir algo realmente edificante para o Jornalismo. Com tantas opiniões, resta prestar atenção ao cardápio oferecido dia a dia pelos grandes meios de comunicação e analisar o que seria menos nocivo, já que vivemos a criticar a programação, mas não deixamos de assistí-la um só dia.
A cada dia vemos de forma contínua, ininterrupta, a banalização da notícia em todos os segmentos: Rádio, TV, Internet, Impresso. Parece que de repente, todos os empresários da Comunicação decidiram usar as fórmulas mais esdrúxulas para conquistar a denominada guerra pela audiência. Não é difícil, ao abrir uma revista ou jornal, se deparar com fotos de pessoas esquartejadas, principalmente quando se fala dos ataques terroristas ou da Guerra do Tráfico no Rio de Janeiro. As notícias são repetidas todos os dias, até que apareça uma tragédia mais atraente.
Outra questão interessante a ser abordada é a modificação dos programas de entretenimento, que muitas vezes, teimam em apresentar quadros jornalísticos. A impressão que se tem, a cada dia, é que as grandes emissoras tratam o Jornalismo, como uma coisa qualquer, uma profissão para a qual não precisa se ter a mínima preparação. Notícias de crimes aparecem ao lado de fofocas sobre artistas. Modelos entrevistam políticos. Dançarinas conduzem debates. Atores da "Malhação" são repórteres por um dia. E por aí vai.
É importante observar ainda que, enquanto a profissão continuar sendo desrespeitada, mais veremos casos como o do programa Domingo Legal. Forjar entrevistas e passar informações erradas ao público? Pelo visto, os responsáveis pela programação de determinados programas não consideram isto como algo para se envergonhar. Principalmente se o IBOPE registra índices elevados na audiência.
Para os profissionais que entraram em uma faculdade de Jornalismo com outros objetivos, talvez seja triste constatar os caminhos para os quais esta área está se enveredando. O mesmo não acontece com os que escolheram a profissão iludidos por uma idéia de "glamour", na qual realmente está inserido o espetáculo no qual se transformou o noticiário. Podemos dizer que de acordo com estudos já realizados, principalmente com as Teorias Culturais e a Escola Latino Americana, o leitor não é tão passivo e só é receptivo às mensagens que lhe convém. Mas a tese de que o leitor/telespectador é "bombardeado com noticias que nada lhe dizem e só estimulam ainda mais a ignorância", foi defendida pelo jornalista José Arbex Júnior, no livro Showrnalismo, a notícia como espetáculo. É importante destacar este livro, pois, por meio dele, Arbex realmente alerta aos leitores para as armadilhas da mídia e como o texto A notícia como espetáculo, nos deixa com a sensação de que algo deve ser feito em benefício do Jornalismo de qualidade. Urgente!
O assunto não se esgota e o termo espetacularização já virou moda, principalmente entre os jornalistas ou aspirantes que se consideram sabichões e politicamente corretos. Mas, é sempre bom falar sobre o tema, que pega bem em qualquer rodinha de estudantes preocupados em discutir algo realmente edificante para o Jornalismo. Com tantas opiniões, resta prestar atenção ao cardápio oferecido dia a dia pelos grandes meios de comunicação e analisar o que seria menos nocivo, já que vivemos a criticar a programação, mas não deixamos de assistí-la um só dia.
A cada dia vemos de forma contínua, ininterrupta, a banalização da notícia em todos os segmentos: Rádio, TV, Internet, Impresso. Parece que de repente, todos os empresários da Comunicação decidiram usar as fórmulas mais esdrúxulas para conquistar a denominada guerra pela audiência. Não é difícil, ao abrir uma revista ou jornal, se deparar com fotos de pessoas esquartejadas, principalmente quando se fala dos ataques terroristas ou da Guerra do Tráfico no Rio de Janeiro. As notícias são repetidas todos os dias, até que apareça uma tragédia mais atraente.
Outra questão interessante a ser abordada é a modificação dos programas de entretenimento, que muitas vezes, teimam em apresentar quadros jornalísticos. A impressão que se tem, a cada dia, é que as grandes emissoras tratam o Jornalismo, como uma coisa qualquer, uma profissão para a qual não precisa se ter a mínima preparação. Notícias de crimes aparecem ao lado de fofocas sobre artistas. Modelos entrevistam políticos. Dançarinas conduzem debates. Atores da "Malhação" são repórteres por um dia. E por aí vai.
É importante observar ainda que, enquanto a profissão continuar sendo desrespeitada, mais veremos casos como o do programa Domingo Legal. Forjar entrevistas e passar informações erradas ao público? Pelo visto, os responsáveis pela programação de determinados programas não consideram isto como algo para se envergonhar. Principalmente se o IBOPE registra índices elevados na audiência.
Para os profissionais que entraram em uma faculdade de Jornalismo com outros objetivos, talvez seja triste constatar os caminhos para os quais esta área está se enveredando. O mesmo não acontece com os que escolheram a profissão iludidos por uma idéia de "glamour", na qual realmente está inserido o espetáculo no qual se transformou o noticiário. Podemos dizer que de acordo com estudos já realizados, principalmente com as Teorias Culturais e a Escola Latino Americana, o leitor não é tão passivo e só é receptivo às mensagens que lhe convém. Mas a tese de que o leitor/telespectador é "bombardeado com noticias que nada lhe dizem e só estimulam ainda mais a ignorância", foi defendida pelo jornalista José Arbex Júnior, no livro Showrnalismo, a notícia como espetáculo. É importante destacar este livro, pois, por meio dele, Arbex realmente alerta aos leitores para as armadilhas da mídia e como o texto A notícia como espetáculo, nos deixa com a sensação de que algo deve ser feito em benefício do Jornalismo de qualidade. Urgente!






