A necessidade de estar em guerra
A necessidade de estar em guerra
Na última semana, o presidente George W. Bush fez um pronunciamento dizendo que 30 mil tropas que estão no Iraque retornarão para os Estados Unidos no próximo verão.
Uma boa notícia mas, apesar das críticas dos democratas que acreditam que a decisão de Bush é tardia e lenta, o que se assistiu toda essa semana nos jornais foi um desfile de matérias relembrando o ataque de 11 de setembro e entrevistas com pessoas com câncer e sérios problemas respiratórios causados pela poeira tóxica produzida pela queda das Torres. Tudo remetendo a um sentimento de raiva e vontade de vingança.
Mas em meio a essa enxurrada de matérias e coberturas ao vivo de homenagens aos mortos do onze de setembro onde militares esbravejavam estar lutando até hoje contra o terror, comecei a me questionar: contra o quê os americanos estão lutando? Será que eles mesmo sabem? Ou é apenas um contra alguém?
Há quatro anos, o presidente Bush usou o ataque às Torres Gêmeas para justificar a guerra do Iraque, também conhecida como "a guerra ao terror". Em seu discurso de 2003 ele justificou que o regime do Iraque possuia armas de destruição maciça e apoiava o terrorismo.
Porém, até hoje não foram encontradas as tais armas de destruição maciça no Iraque. Quanto à guerra contra o terrorismo islâmico, ela se justificaria em legítima defesa do povo americano. Mas há provas convincentes de que o Iraque tenha ajudado o terrorismo internacional e nomeadamente a rede Al-Qaida? De qualquer forma certamente uma guerra contra o terrorismo exigiria muito mais esforços e paciência do que a guerra contra um só país.
Diante deste quadro, surgiram então críticas dos adversários da guerra que procuraram mostrar razões escondidas e possivelmente inconfessáveis.
Uma delas seria que os americanos almejavam as reservas iraquianas de petróleo. Outras foram atribuídas ao presidente Bush que teria conduzido o país à vitória militar para assegurar a sua reeleição. E que as Forças Armadas americanas procuraram demonstrar a sua utilidade, mostrando-se eficaz. Assim, a guerra do Iraque seria feita para testar armas, obter créditos e exigir um orçamento militar forte. Além disso, há teorias de que o presidente Bush quis se vingar da afronta do 11 de Setembro.
É bem possível que todos estes interesses particulares estejam misturados ao motivo da guerra: as companhias petrolíferas, as empresas de reconstrução e obras públicas, os fabricantes de armas, e mesmo a equipe de Bush que pretendia ser reeleita.
Outro fato relevante é que, além das alegações acerca das armas de destruição maciça e das ligações terroristas do Iraque, os Estados Unidos deram sempre uma dupla justificativa: fizeram a guerra do Iraque para levar a liberdade aos outros e assegurar a segurança para si mesmos. Em seus discursos, Bush sempre insistiu nos benefícios da guerra para os ex-adversários e para toda a região. Quem vai contrariar dois projetos tão generoso, não é mesmo?
Vale uma boa reflexão. Mas o que temos de exato é que no ataque de 11 de setembro 2.974 pessoas morreram. E, desde que a guerra do Iraque começou, o número de soldados mortos já passou dos 3 mil.






