A luta não acabou nos quilombos, por Ludmilla Souza e Ana Paula Gomes / Faminas
A luta não acabou nos quilombos, por Ludmilla Souza e Ana Paula Gomes / Faminas
Atualizado em 07/03/2005 às 11:03, por
Ludmilla Souza e Ana Paula Gomes e estudantes de jornalismo da Faculdade de Minas (Muriaé).
Pela igualdade de oportunidade para a população negra no mercado de trabalho. Esta é uma das premissas do Macunbra - Movimento Artístico e Cultural do Negro Brasileiro que luta pelos muriaeenses negros. A idéia nasceu a partir do Festival da Canção em 1978 - evento reconhecido nacionalmente - que destacou artistas como Sandra de Sá, Joana e tantos outros.
O LP Terra e Capim, produzido por músicos da cidade, foi o primeiro trabalho de divulgação do movimento que impulsionou a criação do Macunbra em 1982. O movimento surgiu apoiado na política, através do Partido dos Trabalhadores (PT), força que no início dos anos 80 do século passado também lutou contra as discriminações nas suas diversas formas. O objetivo é a integração dos negros na comunidade.
Um dos fundadores e atual presidente, Antônio Carlos Campos, o Joca, sempre foi defensor dos direitos dos negros. Ele ressalta que o negro não deve deixar sua cor passar em branco. "Hoje é mais fácil ser negro nos Estados Unidos do que no Brasil, aqui o preconceito e a discriminação são mascarados."
Atualmente o Macunbra conta com cerca de 70 associados. As reuniões acontecem na casa do Joca, e são marcadas quando há necessidade de discutir algum assunto do momento. "Nós nos reunimos para debater algum tipo de discriminação ocorrida com alguém, isso ainda acontece muito, principalmente no mercado de trabalho".
Nos encontros os associados buscam soluções para os problemas apresentados. No trabalho de integração, o Macunbra realizou durante muitos anos o concurso Miss e Príncipe Afro, uma forma de valorização da beleza afro-brasileira.
No grupo há diversas pessoas que apesar de não serem negras são simpatizantes e apóiam o movimento. "Essas pessoas trabalham na divulgação, temos muito apoio dos veículos de comunicação da cidade". Com a participação da imprensa o movimento ganhou reconhecimento nacional. Em 1999 Muriaé (MG) sediou o VIII Encontro Interestadual da Consciência Negra, que contou com a participação de autoridades de todo o país. Com o lema "Negro sim! Desperte sua auto-estima" o encontro tratou da formação da consciência crítica e sobre o direito à igualdade.
Quando o assunto é a respeito das cotas para negros nas universidades, Joca discorda: "Não queremos ter vantagem, apenas oportunidades de mostrar capacidade. A cota é mais uma forma de discriminação, lá na universidade vai ter o preconceito da maneira que o estudante entrou". Para ele, o desafio maior mesmo é no mercado do trabalho. "Nas lojas há poucos vendedores negros, ou seja, a gente serve para comprar, mas não serve para vender. O negro continua na cozinha."
A Abolição da Escravatura, ocorrida há 116 anos, continua sendo motivo de luta para os negros. Há muito ainda o que conquistar. Em Muriaé, apesar do pouco incentivo do poder público, o Macunbra conta com o apoio da comunidade negra para desenvolver as ações e evitar que o mal do preconceito cresça entre as pessoas.

O LP Terra e Capim, produzido por músicos da cidade, foi o primeiro trabalho de divulgação do movimento que impulsionou a criação do Macunbra em 1982. O movimento surgiu apoiado na política, através do Partido dos Trabalhadores (PT), força que no início dos anos 80 do século passado também lutou contra as discriminações nas suas diversas formas. O objetivo é a integração dos negros na comunidade.
Um dos fundadores e atual presidente, Antônio Carlos Campos, o Joca, sempre foi defensor dos direitos dos negros. Ele ressalta que o negro não deve deixar sua cor passar em branco. "Hoje é mais fácil ser negro nos Estados Unidos do que no Brasil, aqui o preconceito e a discriminação são mascarados."
Atualmente o Macunbra conta com cerca de 70 associados. As reuniões acontecem na casa do Joca, e são marcadas quando há necessidade de discutir algum assunto do momento. "Nós nos reunimos para debater algum tipo de discriminação ocorrida com alguém, isso ainda acontece muito, principalmente no mercado de trabalho".
Nos encontros os associados buscam soluções para os problemas apresentados. No trabalho de integração, o Macunbra realizou durante muitos anos o concurso Miss e Príncipe Afro, uma forma de valorização da beleza afro-brasileira.
No grupo há diversas pessoas que apesar de não serem negras são simpatizantes e apóiam o movimento. "Essas pessoas trabalham na divulgação, temos muito apoio dos veículos de comunicação da cidade". Com a participação da imprensa o movimento ganhou reconhecimento nacional. Em 1999 Muriaé (MG) sediou o VIII Encontro Interestadual da Consciência Negra, que contou com a participação de autoridades de todo o país. Com o lema "Negro sim! Desperte sua auto-estima" o encontro tratou da formação da consciência crítica e sobre o direito à igualdade.
Quando o assunto é a respeito das cotas para negros nas universidades, Joca discorda: "Não queremos ter vantagem, apenas oportunidades de mostrar capacidade. A cota é mais uma forma de discriminação, lá na universidade vai ter o preconceito da maneira que o estudante entrou". Para ele, o desafio maior mesmo é no mercado do trabalho. "Nas lojas há poucos vendedores negros, ou seja, a gente serve para comprar, mas não serve para vender. O negro continua na cozinha."
A Abolição da Escravatura, ocorrida há 116 anos, continua sendo motivo de luta para os negros. Há muito ainda o que conquistar. Em Muriaé, apesar do pouco incentivo do poder público, o Macunbra conta com o apoio da comunidade negra para desenvolver as ações e evitar que o mal do preconceito cresça entre as pessoas.






