A infografia nos primórdios da imprensa
A infografia nos primórdios da imprensa
Atualizado em 11/01/2011 às 13:01, por
Nelson Varón Cadena.
Infografia é um termo recente na imprensa brasileira, se reporta à criação e manipulação de imagens digitais para construir representações visuais da informação. Insinua-se com uma certa regularidade nos anos 80/90, resultado da informatização dos grandes jornais e o surgimento e domínio por parte dos jornalistas de sowftares de interface gráfica; Definitivamente popularizada, a partir de 1.995 com o aparecimento do Adobe Illustrator e a sua característica de desenho vectorial. Termo recente, sim, mas o seu uso se confunde com as origens da imprensa brasileira, ou seja, o surgimento da Gazeta do Rio de Janeiro que em 1.813 já mostrava a seus leitores, através de uma representação gráfica, o posicionamento das tropas que tentavam recuperar os territórios anexados por Napoleão.
Estes desenhos primários e de certo modo toscos devido à técnica tipográfica utilizada, provavelmente recursos de xilografia, diagramados no formato de meia página, tinham grande relevância para o leitor. Primeiro, era novidade. Segundo, reforçava a informação secundária sobre a guerra européia transcrita das gazetas lusitanas. Infografia já era um recurso conhecido da imprensa, utilizado pela primeira vez segundo os historiadores da mídia pelo Daily Post de Londres em 1.740, também uma representação visual de guerra: o ataque do Almirante Vernon à Portobello, numa incursão contra os traficantes de ouro espanhóis. Recurso ainda utilizado pelo The Times em 1.806, a propósito do assassinato de Issac Blight, com o uso de legendas explicativas.
Precursora do Tira-Teima
Em todo caso a infografia foi uma técnica pouco utilizada na imprensa brasileira e mesmo mundial, no século XIX, por razões operacionais. Demandava a contratação de um artista-gráfico, o uso de técnicas suplementares de impressão e certamente representava um maior custo do produto final. Mas é no século XX que a infografia ganha maior regularidade e num setor onde o leitor precisava aguçar a sua imaginação para entender a informação relatada: as seções de esportes das revistas semanais e mensais. Naquele tempo, estamos falando em década de 20 quando a infografia se expande neste segmento, o texto pouco informava. O redator de esportes usava as mesmas expressões rebuscadas e por vezes inflamadas da editoria de assuntos gerais e não raras vezes o leitor concluía a leitura da matéria sem saber o "score" do "match" realizado. Sabia quem ganhou, mas omitia-se a informação fundamental do resultado final.
Foi nesse contexto que o infográfico supriu essa deficiência de informação, com representações dos gols, gráficos precursores do tira-teima da TV. Os mais antigos que eu conheço datam de 1.906 publicados na Revista do Brasil de José Alves Requião. Na década de 20 o infográfico tira-teima se populariza nas páginas de O Malho e em especial na imprensa especializada: Sport Ilustrado, Semana Sportiva, Sport, dentre outras. Na década de 30 torna-se um recurso essencial para melhor entender as estratégias de jogo, utilizado pelo Jornal dos Sports e a Revista Olympia.
A informação visual volta à tona durante a segunda guerra mundial. Mostra para o leitor o posicionamento dos exércitos, através de mapas, como nos primórdios da imprensa aqui referidos, mas também representações de bombardeios. O tema da guerra é prioritário, mas nas revistas semanais, também assuntos relativos à ciência e tecnologia são ilustrados com infogramas. Reproduzidos com regularidade nas páginas de Eu Sei Tudo e Leitura para Todos, dentre outros.
A infografia na imprensa brasileira é assunto pouco estudado e está a merecer uma atenção maior dos estudantes e pesquisadores de comunicação e design. O problema são as fontes primárias não disponíveis, ainda, na internet. Apenas nas bibliotecas e arquivos públicos, sebos especializados e bibliotecas de colecionadores de jornais e revistas.

Estes desenhos primários e de certo modo toscos devido à técnica tipográfica utilizada, provavelmente recursos de xilografia, diagramados no formato de meia página, tinham grande relevância para o leitor. Primeiro, era novidade. Segundo, reforçava a informação secundária sobre a guerra européia transcrita das gazetas lusitanas. Infografia já era um recurso conhecido da imprensa, utilizado pela primeira vez segundo os historiadores da mídia pelo Daily Post de Londres em 1.740, também uma representação visual de guerra: o ataque do Almirante Vernon à Portobello, numa incursão contra os traficantes de ouro espanhóis. Recurso ainda utilizado pelo The Times em 1.806, a propósito do assassinato de Issac Blight, com o uso de legendas explicativas.
Precursora do Tira-Teima
Em todo caso a infografia foi uma técnica pouco utilizada na imprensa brasileira e mesmo mundial, no século XIX, por razões operacionais. Demandava a contratação de um artista-gráfico, o uso de técnicas suplementares de impressão e certamente representava um maior custo do produto final. Mas é no século XX que a infografia ganha maior regularidade e num setor onde o leitor precisava aguçar a sua imaginação para entender a informação relatada: as seções de esportes das revistas semanais e mensais. Naquele tempo, estamos falando em década de 20 quando a infografia se expande neste segmento, o texto pouco informava. O redator de esportes usava as mesmas expressões rebuscadas e por vezes inflamadas da editoria de assuntos gerais e não raras vezes o leitor concluía a leitura da matéria sem saber o "score" do "match" realizado. Sabia quem ganhou, mas omitia-se a informação fundamental do resultado final.
Foi nesse contexto que o infográfico supriu essa deficiência de informação, com representações dos gols, gráficos precursores do tira-teima da TV. Os mais antigos que eu conheço datam de 1.906 publicados na Revista do Brasil de José Alves Requião. Na década de 20 o infográfico tira-teima se populariza nas páginas de O Malho e em especial na imprensa especializada: Sport Ilustrado, Semana Sportiva, Sport, dentre outras. Na década de 30 torna-se um recurso essencial para melhor entender as estratégias de jogo, utilizado pelo Jornal dos Sports e a Revista Olympia.
A informação visual volta à tona durante a segunda guerra mundial. Mostra para o leitor o posicionamento dos exércitos, através de mapas, como nos primórdios da imprensa aqui referidos, mas também representações de bombardeios. O tema da guerra é prioritário, mas nas revistas semanais, também assuntos relativos à ciência e tecnologia são ilustrados com infogramas. Reproduzidos com regularidade nas páginas de Eu Sei Tudo e Leitura para Todos, dentre outros.
A infografia na imprensa brasileira é assunto pouco estudado e está a merecer uma atenção maior dos estudantes e pesquisadores de comunicação e design. O problema são as fontes primárias não disponíveis, ainda, na internet. Apenas nas bibliotecas e arquivos públicos, sebos especializados e bibliotecas de colecionadores de jornais e revistas.






