A história do Rádio marca presença no terceiro dia do Seminário de Inverno, por Diego Antonelli / Universidade Estadual de Ponta Grossa

A história do Rádio marca presença no terceiro dia do Seminário de Inverno, por Diego Antonelli / Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG) consegue proporcionar aos alunos uma maneira diferente de discutir a profissão.

Atualizado em 10/10/2005 às 17:10, por .

o desajuste salarial dos professores e o dilema se haverá ou não concurso público, algum curso da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) consegue proporcionar aos alunos uma maneira diferente de discutir a profissão. O curso de Comunicação Social/Jornalismo realiza durante esta semana, de segunda a sexta-feira, a oitava edição do Seminário de Inverno de Estudos em Comunicação sob o tema "Mídia, História e Cotidiano". Com a participação de alunos desta universidade e da Faculdades Santa Amélia (SECAL), o evento é realizado no Pequeno Auditório do bloco A da UEPG, a partir das 19h.

No terceiro dia de seminário realizado nesta última quarta-feira (29), contou com as palestras de Cristina Kapp e de Sérgio Luiz Gadini. A primeira a se apresentar foi Cristina com o tema "Do rancho sertanejo para a história da cidades: voz e a missão de "Seu Caju" nos 50 anos da Rádio Castro". Formada em Jornalismo pela UEPG e atual assessora de imprensa da Prefeitura de Castro, ela afirmou que em cidades menores os radialistas acabam virando artistas. " Um deles é Seu Caju", disse.

"Para poderem fazer programas as vivo antigamente, puxava-se linhas de transmissão aos postes. Algumas viraram fixas", afirmou Cristina. Além desta alternativa, Seu Caju apresentava programas de auditório, com apresentações musicais. Segundo a assessora, na época em havia censura em todo o Brasil o radialista nunca foi censurado. "Mas, no fundo ele sabia que não podia tocar algumas músicas. A própria população não pedia para escutar determinadas músicas", contou.

A voz rouca e forte de Seu Caju ainda se faz presente nos aparelhos de rádios de Castro. "Ele continua a apresentar programas com músicas sertanejas de raiz, como Pena Branca e Xavantinho", afirmou Cristina. Ela falou, ainda, que o programa deste radialista não se parece com os atuais. "A locução é característica de tempos antigos e até músicas de vinil ele ainda executa", disse.

Um outro ponto pouco usual em programas de rádio, Seu Caju já realizou. "Era realizado um intercâmbio do programa dele com a Rádio Clube de Ponta Grossa. Uma apresentava a programação da outra", narrou a jornalista. Como não se preocupa com a audiência, Seu Caju preocupa-se, apenas, em tocar "músicas de qualidade". Também não deixa de lado a função social do rádio. "Ele pensa que um simples 'bom dia' pode dar motivação a algum ouvinte", disse Cristina. Atualmente, Seu Caju comanda dois programas: "Rancho do Caju", pela manhã e "Assim é o sertão", no fim da tarde.

Gadini, jornalista e professor da UEPG, falou sobre o projeto, em parceria com a Rede Alfredo de Carvalho, que visa registrar a história da rádio em Ponta Grossa. "No Paraná, o que tem sobre a história da comunicação é inexpressivo", afirmou. Através de pesquisas ele pretende resgatar como a cultura radiofônica era no município. "Queremos resgatar algo importante e que nós nem nos damos conta", disse Gadini.

O professor narra alguns resultados desta pesquisa, como o nascimento da rádio em Ponta Grossa. "Antes da rádio comercial existia em Ponta Grossa uma Rede de Alto-falantes (RAF). Esta rede foi criada em 1936, e era espalhada por 12 pontos da cidade. Funcionava como uma rádio comunitária e a maior do Brasil", afirma. A RAF se localizava entre o Ponto Azul e onde é o atual Terminal Central. "Ela era uma ousadia de poucos", completou Gadini.

A RAF, segundo o palestrante, não era profissional e não possuía horários determinados. "Esta experiência tornou que os espaços públicos ficassem mais agradáveis", afirmou o jornalista. Para ele, as rádios proporcionam acesso aos espaços culturais para a população. "A rádio, por fim, busca proximidade com o público", finalizou Gadini.

A estudante do 2º ano de Jornalismo da UEPG, Adrielle da Costa acredita que estas pesquisas são de fundamental importância para entender a história dos meios de comunicação. "Assim podemos ter uma referência de como era o início dos meios de comunicação na região", afirmou.

Em relação aos 52 alunos presentes no evento, a professora da UEPG, Hebe Gonçalves, disse não se importar em quantidade. "Não adianta ter 200 pessoas se ninguém debater. Este é um espaço para debates. É melhor ter poucas presenças, mas com qualidade e não, apenas com quantidade", afirmou. Esta opinião também pertence a outra professora da instituição e uma das coordenadoras do evento, Karina Janz Woitivicz. Ela, que já participou tanto como aluno quanto docente de demais Seminários de Inverno de Estudos em Comunicação, declarou: "O que interessa é o aspecto qualitativo e não quantitativo".

Após as palestras em uma pausa de cerca de 5 minutos, foi aberto um espaço para perguntas. Passado um pouco das 10h, com apenas 13 pessoas no Pequeno Auditório, terminou o terceiro dia de mais uma edição do Seminário de Inverno de Estudos em Comunicação.

Confira a programação para os próximos dias do evento:

30/06

- "A história da imprensa pelo olhar das colunas sociais em Ponta Grossa" - Camila Cardoso

"A construção jornalística do 'Abril Vermelho' nos diários de Ponta Grossa" - Hebe Gonçalves

01/07

" A produção jornalística em municípios de médio e pequeno porte: uma retrospectiva da história da imprensa em Irati/PR"- Sandra Mara Mosson

"TVE PG: A história do começo de uma história"- Régis Luiz Rieger