80% da população mundial vive com menos liberdade de expressão do que há 10 anos

Elaborado pela ONG de defesa de direitos humanos Artigo 19, o Relatório Global de Expressão 2022 indicou um cenário de perda internacional da liberdade de expressão, com 80% da população mundial vivendo com menos liberdade de expressão do que há 10 anos e cerca de 2,7 milhões de pessoas vivendo em países em crise de expressão.

Atualizado em 01/07/2022 às 15:07, por Redação Portal IMPRENSA.


Divulgado nesta quinta-feira (30), o trabalho também mostrou que no Brasil a perda de liberdade de expressão foi ainda mais acentuada. O país foi apontado como o terceiro do mundo que mais perdeu liberdade de expressão entre 2011 a 2021, atrás apenas de Hong Kong e Afeganistão. Crédito: Reprodução Artigo19 Com isso o país ficou na 89ª posição num ranking com 116 nações. Trata-se do pior desempenho desde o começo do levantamento, em 2010. Ainda segundo o relatório, em 2015 o Brasil ocupava a 31ª colocação e era classificado como ‘aberto’. Agora é classificado na categoria ‘restrito’.
As dez primeiras posições do ranking são ocupadas por países europeus, com destaque para Dinamarca, Suíça e Suécia. Nas últimas posições estão Turcomenistão, Coréia do Norte e Síria.
Assédio e represálias

Levando em conta a garantia de direito de expressão e comunicação de jornalistas, sociedade civil e artistas, o trabalho também busca mensurar o assédio ou represálias sofridos em razão do que as pessoas dizem.
O trabalho considera ainda o número de ataques desferidos por autoridades a jornalistas e veículos de imprensa. Neste quesito o Brasil saiu-se muito mal. Segundo o relatório, foram registrados 430 ataques em 2021, o maior número desde a década de 1990, e os ataques subiram 50% em 2018, ano da eleição do presidente Jair Bolsonaro.
O estudo também destaca o problema da desinformação, a atuação de Bolsonaro durante a pandemia, os embates do presidente com o Judiciário e o uso de retórica focada em deslegitimar os resultados eleitorais. Nesse sentido, o relatório alerta que as eleições presidenciais de 2022 serão um teste para a democracia brasileira.