“Gerações em choque”, por Marcelo Molnar

Opinião

Marcelo Molnar | 18/05/2022 07:48

Desde o início do século passado, a forma de classificar gerações de épocas específicas e nomeá-las tem sido um hábito cada vez mais comum. Diferentemente de separar as pessoas por nacionalidade, idade, sexo ou renda, a classificação por gerações se apresenta para definir valores e comportamentos. Porém, tais classificações não são bem aceitas em todas as áreas do conhecimento e coleciona críticos fervorosos. Rotular pessoas é sempre arriscado.


A Geração Perdida foi um termo atribuído a Gertrude Stein e popularizado por Ernest Hemingway em seu livro “O Sol Também se Levanta” e em suas memórias no livro “Paris é uma festa”. O termo foi utilizado para identificar a geração que nasceu entre 1883-1900, no sentido de ser uma geração "sem direção". Depois vieram as Gerações Grandiosa e Silenciosa, para se referir aos indivíduos que cresceram durante a Grande Depressão e enfrentaram as grandes guerras mundiais.


Na sequência, as mais conhecidas: Baby Boomers, Geração X, Millenials, Geração Z, Geração Alfa e a mais recente Geração C, já impactada pela Covid-19 e imagina-se que irá até o meio de 2030. Lógico que os sociólogos usarão outros critérios e outras divisões, assim como os psicólogos, filósofos e historiadores. As datas de começo e fim de cada geração também é bastante discutido. Mas o fato é que a comunicação precisa ser diferente com cada geração. Não só nas relações familiares, mas na educação, no trabalho, na política e em tantas outras.


A forma diferente de como esses grupos se posicionam em relação ao grande cenário mundial é desafiador. Estamos enfrentando simultaneamente uma pandemia, guerras, inflação, degradação do meio ambiente, eventos climáticos extremos, matriz energética frágil e, ao mesmo tempo, um rápido avanço tecnológico, disponibilidade de recursos de inteligência artificial, abundância de dados e informações, obsolescência programada agressiva, e um apelo ao consumo desenfreado. Muito difícil manter a saúde mental em meio a esse turbilhão de variáveis.


Crédito:Reprodução





Esta diversidade geracional se mostra extremamente desafiadora na questão educacional e em sequência no mercado de trabalho. O Lifelong learning, ou traduzido livremente para o português como “aprendizado ao longo da vida”, na prática indica a necessidade de estar disposto a aprender algo novo, durante toda a vida. Só assim será possível enfrentar o dinamismo do mundo contemporâneo. É preciso se reinventar, se antecipar para acompanhar a velocidade das transformações.


O grande conflito é que ainda vivemos em uma sociedade que tem expectativas que os filhos serão mais bem-sucedidos que seus pais. Mas o que se constata é que o grupo de jovens que nem estudam, nem trabalham, nem procuram emprego, nomeados como “nem nem”, aumenta em todas as partes do mundo. Por outro lado, identifica-se uma procura cada vez maior com a felicidade no trabalho. Mesmo aqueles que conseguem se colocar profissionalmente declaram que deixariam o emprego se isso interferisse em suas vidas.


Como lidar com esse paradoxo envolvendo processo de aprendizado constante, falta de oportunidade para quem não tem experiência ou está desqualificado, crescimento daqueles que não trabalham e nem estudam, em um ambiente social de estímulo ao consumo de produtos e ideias? Com certeza, essa é uma das grandes questões que teremos que enfrentar nos próximos anos.


Flexibilidade, diversidade e inclusão. São fatores que não resolverão todos os problemas, mas com certeza são ingredientes importantes. Com ferramentas adequadas e uma comunicação criativa, temos que descobrir formas de aproveitar o que cada geração apresenta de melhor. Novamente acredito que o avanço tecnológico seja uma possibilidade para enfrentarmos esse cenário desafiador.

Descobrir o que é importante para cada um é fundamental neste processo. Choques existem. Independente da geração, motivadores variam muito entre os indivíduos. Se dinheiro representa sucesso para um, qualidade de vida ou estabilidade podem ser bem mais importantes para outros. O importante é encontrarmos o equilíbrio. A preservação e recuperação de recursos naturais são atividades importantes para todos. Afinal, enquanto existir vida há esperança e nunca é cedo ou tarde para aprender. Um bom diagnóstico é essencial para tratamento eficaz.


Crédito:Arquivo Pessoal


*Marcelo Molnar é formado em Química Industrial, com pós graduação em Marketing e Publicidade. Experiência de 18 anos no mercado da Tecnologia da Informação, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Criador do processo ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de sua relação emocional com seus consumidores. Coautor do livro "O segredo de Ebbinghaus". Atualmente é Sócio Diretor da Boxnet.



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