“Aos 72 anos e com muito ‘vai e vem’, Educativa do Paraná pouco explora convergências”, por Wagner de Alcântara Aragão

Opinião

Wagner de Alcântara Aragão | 20/11/2021 19:20

Já está publicado nos anais do XIII Encontro Nacional de História da Mídia trabalho que este articulista e sua orientadora de doutorado (a professora Myrian Regina Del Vecchio-Lima) apresentaram no evento, sobre a Rádio e Televisão Educativa do Paraná (RTVE-PR). Promovido pela Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar), o encontro ocorreu entre os dias 18 e 20 de agosto, de forma remota.


Nossa pesquisa constituiu em averiguar como a RTVE-PR se apropria (ou não) das potencialidades de convergência de mídia, narrativas transmídia e jornalismo digital, no efetivo cumprimento de seu papel. Conforme fixa o mais recente regimento da organização (2016), sua função é a de “produzir material audiovisual e noticioso de cunhos educativos, culturais, esportivos, sociais, informativos e artísticos”. Conhecida pelo nome fantasia de Paraná Educativa, a RTVE-PR atualmente é vinculada à Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura.


Crédito:Divulgação RTVE-PR
Auditório do Canal da Música, como é conhecida a sede da RTVE-PR: potencialidades inexploradas.

Constatamos que essas potencialidades são quase nada exploradas. A partir da análise do site da organização (www.rtve.pr.gov.br), verificou-se, por exemplo, que o endereço se limita a reunir links para acesso ao canal de televisão e às estações AM e FM de rádio. O conteúdo jornalístico apresentado, por sua vez, é o mesmo do veiculado pela Agência Estadual de Notícias.


Também não se identificou nenhum tipo de conteúdo educativo, ao contrário do que sugere o nome da organização. A ausência é considerada ainda mais grave porque a análise se deu no período da pandemia de covid-19 (setembro de 2020). Ou seja, no momento em que as escolas estavam fechadas e as aulas precisaram migrar para o ensino remoto, o sistema comunicacional educativo do Estado não preencheu essa lacuna.


O estudo aponta que o constante “vai e vem” administrativo e editorial do qual a RTVE vem sendo objeto contribui substancialmente para a inexploração das potencialidades de convergência, de narrativas transmídia e de jornalismo digital. Com origem em 1949, como um clube de radioamadorismo, em sete décadas a organização já teve várias vinculações, regimentos, nomes e características de conteúdo. Hoje, a TV, por exemplo, foca-se em divulgar atrativos turísticos – tanto que passou a se chamar “TV Paraná Turismo”.


Sublinhamos nas considerações finais que essa inconstância dificulta a formação de uma estabilidade e identidade institucional. E, acrescentamos: projetos de convergência, narrativas transmídia e jornalismo digital demandam estrutura, tempo de concepção e desenvolvimento, condições que o “vai e vem” identificado inviabiliza.


Assinalamos ainda que essa instabilidade – os rumos da emissora são definidos segundo critérios do governo de plantão – decorre da falta de um marco regulatório para o sistema de radiodifusão aberta no Brasil. O princípio da complementaridade do sistema, estabelecido pela Constituição de 1988, se fosse regulamentado traria definição e obrigações mais precisas a emissoras estatais, públicas e educativas. 


O trabalho, intitulado “Rádio e Televisão Paraná Educativa: de clube de radioamadorismo às potencialidades digitais inexploradas”, pode ser lido neste link: https://alcarnacional2021.com.br/anais-do-evento/


Crédito:Arquivo Pessoal


*Wagner de Alcântara Aragão é doutorando em Comunicação (UFPR), jornalista e professor da rede estadual de educação profissional do Paraná. Mantém um veículo de mídia alternativa (www.redemacuco.com.br), ministra cursos e oficinas nas áreas de Comunicação e realiza projetos culturais.



 


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