“Dicas para um jovem profissional”, por Roberta Lippi

Opinião

Roberta Lippi | 11/10/2021 10:11

Tempos atrás, em uma palestra que dei em uma universidade, uma estudante do último ano de jornalismo me pediu dicas para quem está começando a carreira em comunicação. Na visão dela, eu tinha conquistado o currículo que ela sonha em ter no futuro. 


A elaboração da resposta a essa dúvida tão comum para alguém que está entrando no mercado de trabalho foi um exercício interessante pra mim. Porque, na verdade, não existe uma fórmula – a vida simplesmente foi me levando.


Crédito:Getty Images/ reprodução

O que respondi de imediato a ela, e que de fato fez sentido na minha carreira, foi: aproveite todas as oportunidades que tiver, dedique-se ao que faz e construa relações verdadeiras por onde passar. O resto, a vida meio que se encarrega de encaminhar. Até porque não necessariamente vamos querer ser, no futuro, aquilo que almejamos quando estamos iniciando. 


Eu trabalhei em grandes veículos de imprensa, mas não me tornei profissionalmente o que eu sonhava na época. Meu sonho era ser correspondente internacional, cobrir grandes eventos globais, cobrir guerras. Digo sempre à Patrícia Campos Mello, grande e querida jornalista com quem trabalhei no início da carreira na Gazeta Mercantil, que ela se tornou aquilo que eu sonhava em ser quando me formei. 


Mas o destino e as oportunidades foram me levando para outros caminhos e os meus desejos de futuro também foram mudando. E isso não significa, como expliquei para essa estudante, que eu não tenha alcançado meus sonhos ou objetivos profissionais. Isso mostra apenas que os ventos que vão soprando pelo caminho podem alterar o rumo dos acontecimentos e nos levar por outras trilhas não antes imaginadas – e que podem ser inclusive melhores do que esperávamos. É como acontece quando viajamos para cidades rodeadas por dunas no Nordeste, por exemplo. Quem já foi a Jericoaquara, no Ceará, provavelmente ouviu a explicação que o caminho que será feito pelos bugueiros para nos levar até a praia pode mudar de um dia para outro por causa do vento, que move as dunas rapidamente. Na carreira, na maioria dos casos, isso também acontece dessa forma. A vida não é tão previsível como imaginamos. 


É muito comum essa angústia em quem está saindo da universidade. A ansiedade por não sabermos o que nos espera e a cobrança por sermos bem-sucedidos. Mas o que aprendi com a experiência de vida é que o mais importante é o legado que vamos construindo e deixando por onde passamos. Nesse sentido, se eu puder dar alguns conselhos a quem está começando, diria de imediato esses dez pontos aqui abaixo – não necessariamente nessa ordem:


1.Seja gentil e generoso com as pessoas. 

2.Construa uma rede de relacionamentos verdadeira e a cultive ao longo da vida de forma genuína – networking organizado e forçado não vai te levar muito longe. 

3.Elogie em público e critique em privado. 

4.Não seja competitivo demais. 

5.Não passe a perna em ninguém para conseguir o que quer. 

6.Você não precisa criticar o outro para ser valorizado pelo que faz. 

7.Escreva bem – por incrível que pareça, há muitas pessoas atuando na área de comunicação que escrevem muito mal.

8.Leia jornais diariamente – e me refiro a jornais inteiros, não apenas à sessão que te interessa. 

9.Seja fluente em inglês e, se possível, aprenda também outros idiomas. 

10.Seja uma boa pessoa.  


Como podem ver, esses conselhos não servem apenas para estudantes de comunicação. Eles são os valores e atitudes que devem nos guiar para sermos bons cidadãos e profissionais respeitados por onde passarmos. A parte técnica vamos aprendendo nos cursos e na prática. O resto a vida vai nos ajudando a construir. 


*Roberta Lippi é sócia da Brunswick Group, consultoria internacional de comunicação estratégica. Jornalista com pós-graduação em gestão empresarial pelo Insper e especialização em comunicação internacional pela Universidade de Syracuse/Aberje, tem 25 anos de experiência na área de comunicação, com foco em posicionamento corporativo, mídia, crises, comunicação interna e treinamento de executivos. É membro desde 2015 do Programa Diversidade em Conselho, iniciativa de B3, IBGC, IFC, Spencer Stuart e WCD para ampliar a diversidade em conselhos de administração.  



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