“Sites de RI no topo do ranking de confiança”, por Roberta Lippi

Opinião

Roberta Lippi | 05/07/2021 09:32

Quando buscam informações para basear suas decisões, investidores confiam mais nos sites próprios das empresas do que na mídia tradicional. Até mesmo veículos considerados muito confiáveis, como Bloomberg, The Economist e Wall Street Journal, perdem para as páginas de Relações com Investidores, aponta a pesquisa “Digital Investor Survey”, realizada pela Brunswick Group. O estudo, que vem sendo realizado há vários anos para entender como os investidores buscam informação e o que fazem com elas, foi feito este ano com com 537 representantes de investidores institucionais na América do Norte, Reino Unido, Europa continental e Ásia. 


Numa escala de zero a dez para medir o grau de confiança investidores em relação às fontes de informação digitais, tradicionais e televisivas, os sites de RI alcançaram a maior pontuação (8,4). Abaixo desse índice ficaram veículos de longa tradição como o The Wall Street Journal (8,2), The Economist (7,7), Bloomberg TV (7,3), The New York Times e BBC, ambos com 6,8.


O alto nível de confiança nos sites de RI se dá pelo tipo de informação que eles hospedam, em especial pelo fato de tudo ali estar regido por regras estritas e regulamentos, além de terem passado pela avaliação de auditores e outros consultores especializados. “Como tal, os sites de RI são o relato mais confiável da empresa sobre si mesma”, explicam os meus colegas autores da pesquisa. Enquanto nas suas propagandas e sites institucionais as organizações têm mais liberdade para “carregar na tinta” a seu favor e trazer um tom mais marqueteiro, as páginas de RI em geral são mais focadas e precisas. 


De acordo com o levantamento da Brunswick, 92% dos entrevistados afirmaram que usam as seções de RI nos websites das empresas para investigar determinado assunto. E 72% deles disseram que já tomaram alguma decisão de investimento baseada em algo que descobriram por ali. Os profissionais ouvidos, em sua maioria (74%) atuam na análise buy side (avaliação de ativos a serem recomendados para a própria instituição) e outros 23% estão no sell side (recomendação de ativos para o público em geral).


Essa equação pode variar um pouco de acordo com a confiança dos investidores nos órgãos reguladores dos países em que atuam. Enquanto nos EUA e Reino Unido a credibilidade dessas instituições é alta, na Ásia se apresenta bem inferior: apenas 52% dos investidores localizados em países asiáticos se baseiam nos canais das próprias companhias para tomar suas decisões de investimento, enquanto na média geral esse índice é de 85%. 

Crédito:Reprodução

Os investidores também disseram que querem e esperam ver os CEOs das empresas por meio de canais digitais e mídias sociais. Cresceu de 38% em 2020 para 48% em 2021 o número de investidores que esperam ter notícias dos executivos por meio desses canais digitais. 


Se por um lado esta não é a melhor notícia para a imprensa financeira e de negócios, por outro se mostra uma grande oportunidade para as empresas investirem nos seus sites de RI com o mesmo cuidado com que normalmente tratam seus outros canais corporativos. Aprimorar a comunicação digital com investidores e analistas é uma forma de se conectar melhor com esse público e aumentar o engajamento, e o impacto pode ser positivo em operações relevantes como M&As, aberturas de capital e captação de recursos. Sairão na frente nessa disputa pela atenção dos investidores as organizações que oferecerem conteúdos ricos e de qualidade, com fluxo contínuo e que promovam uma experiência mais personalizada, atendendo de forma mais efetiva os interesses dos seus importantes visitantes.  

Crédito:Arquivo Pessoal



*Roberta Lippi é sócia da Brunswick Group, consultoria internacional de comunicação estratégica. Jornalista com pós-graduação em gestão empresarial pelo Insper e especialização em comunicação internacional pela Universidade de Syracuse/Aberje, tem 25 anos de experiência na área de comunicação, com foco em posicionamento corporativo, mídia, crises, comunicação interna e treinamento de executivos. É membro desde 2015 do Programa Diversidade em Conselho, iniciativa de B3, IBGC, IFC, Spencer Stuart e WCD para ampliar a diversidade em conselhos de administração.  





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