“Deus não joga dados....será?”, por Marcelo Molnar

Opinião

Marcelo Molnar | 19/05/2021 07:14

Albert Einstein escreveu: “A teoria produz um bom resultado, mas dificilmente nos aproxima do segredo do Criador. Estou, em todos os casos, convencido de que Ele não joga dados.” Entender uma mente genial é um grande desafio, mas o que exatamente ele queria dizer? Existem muitos estudos e interpretações, porém acredita-se que quando jovem Einstein teve vários conflitos de valores entre a ciência e a religião. Consta que ele desenvolveu uma profunda aversão ao dogma da religião organizada que duraria toda a sua vida, uma aversão que se estendia a todas as formas de autoritarismo, incluindo qualquer tipo de ateísmo dogmático. 


O Deus que Einstein acreditava era infinitamente superior, mas impessoal e intangível, sutil, mas não malicioso. Ele era também firmemente determinista e não há lugar para o livre-arbítrio: “Tudo é determinado, tanto o começo como o fim, por forças sobre as quais não temos controle… Todos dançamos numa melodia misteriosa, entoada à distância por um invisível ‘jogador’”.


Não quero me atrever a contrariar Einstein. Mas como fica a aleatoriedade? Um processo aleatório é o processo repetitivo cujo resultado não descreve um padrão determinístico, mas segue uma distribuição de probabilidade. Na história antiga, os conceitos de chance e de aleatoriedade eram interligados à ideia que era atribuída ao destino. Jogavam-se dados para determinar o destino, como um método de adivinhação para tentar contornar o imprevisível. Hoje diversas interpretações da mecânica quântica, afirmam que os fenômenos microscópicos são objetivamente aleatórios. Isto é, em um experimento onde todos os parâmetros relevantes são controlados, ainda existem alguns aspectos do resultado que variam aleatoriamente.


Crédito:Reprodução

No mundo de hoje o que não faltam são “dados”. Mas não só os dados referidos por Einstein que são pequenos objetos poliedros gravados com determinadas instruções. 


Nesta categoria o dado clássico é o cubo, gravado com números de um a seis. Mas existem também dados de duas faces (representados por moedas), três faces (igual a um dado clássico de seis lados, mas com apenas três números, sendo cada um repetido duas vezes), quatro faces (em formato piramidal), oito faces, dez faces, 12 faces, 20 faces, entre outros. Temos uma variedade de dados.


A relação entre os dados usados para os jogos e os dados nos quais nos referimos como informações é que ambos são ferramentas de estudos e previsões, envolvendo nossa sorte e nosso futuro. O grande valor está na capacidade de interpretar o que os dados querem dizer. O poder analítico disponível pelas tecnologias atuais está longe da cleromancia e do mundo místico dos oráculos. Os dados sempre estiveram ligados as nossas decisões, sejam elas grandes ou pequenas, pessoais ou no mundo dos negócios. E sem dúvida a habilidade analítica é uma das forças que está mudando e definitivamente mudará o mundo.


Segundo muitas revistas de negócios atuais, a maturidade analítica ou o nível de prontidão analítico das empresas é hoje um dos principais fatores-chave para a competitividade, já que os gestores dependem cada vez mais do talento de seus times, e do suporte computacional e metodológico para lidar com a quantidade de dados disponíveis que, por sua vez, tendem ainda a crescer em volume e complexidade. Desenvolver uma equipe multidisciplinar dedicada e exclusiva para o monitoramento completo das fontes de dados, utilizando recursos tecnológicos modernos para extrair ao máximo as informações é a nova regra do jogo.


Da mesma forma que inventamos o microscópio para poder olhar para coisas muito pequenas, ou o telescópio para enxergar coisas muito distantes, diversas aplicações de inteligência artificial foram desenvolvidas para dar suporte à limitação humana, em relação ao colossal volume de dados que podemos analisar. Chegamos a um momento em que “tudo” ainda é insuficiente. E a expectativa do intervalo de tempo para a tomada de decisão é cada vez menor.


Conceitos da teoria quântica começam a fazer parte do nosso dia a dia. Quando os cientistas falam que a mecânica quântica pode ajudar a fazer previsões, na verdade eles estão dizendo que prever é a probabilidade de detectar um dos possíveis resultados. Se no passado o mundo parecia mais determinista como Einstein defendia, hoje estamos aprendendo cada vez mais a viver em um mundo de cenários possíveis. 


Porém, ele mesmo declarou: "A imaginação é mais importante que o conhecimento". De fato, a partir de observações díspares, às vezes temos que escolher entre vários caminhos possíveis. Portanto, o progresso das ideias é nutrido por vários elementos. Precisamos evoluir no conhecimento além da pura racionalidade. A fronteira entre o objetivo e o subjetivo não é mais completamente fixa. Além de “jogar” precisamos entender nossos dados!



Crédito:Arquivo Pessoal



*Marcelo Molnar é formado em Química Industrial, com pós graduação em Marketing e Publicidade. Experiência de 18 anos no mercado da Tecnologia da Informação, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Criador do processo ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de sua relação emocional com seus consumidores. Coautor do livro "O segredo de Ebbinghaus". Atualmente é Sócio Diretor da Boxnet.  




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