“Jornais de universidades preenchem vazio deixado pela imprensa tradicional”, por Wagner de Alcântara Aragão

Opinião

Wagner de Alcântara Aragão | 09/04/2021 07:18

Experimentei nos três primeiros meses de 2021 manter considerável distância de redes sociais – twitter, instagram e facebook, principalmente.


Redes sociais como o twitter, sobretudo, acabam servindo de menu de notícias. A partir dos perfis ou das áreas de interesse que seguimos, links de veículos diversos se nos apresentam. Sem esse cardápio diário, para me manter minimamente informado durante o período de abstinência deliberada precisei, então, acessar um por um os veículos de informação.


Nesse exercício, intensifiquei o acesso a jornais (digitais) mantidos por universidades. Em especial, o Jornal da USP (Universidade de São Paulo), o Jornal da Unicamp (Universidade de Campinas), o Jornal UFG (Universidade Federal de Goiás) e o Boletim UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), os quais já costumava ler com certa regularidade.

Crédito:Reprodução Jornal da USP

Os quatro veículos são merecedores de artigos acadêmicos e científicos, para análises nas mais diversas perspectivas. Por ora, atenho-me a breves, contudo importantes, considerações.


A síntese dessas considerações: quem se torna leitor contumaz desses periódicos vê preenchido o vazio deixado pelo minguamento do bom e velho jornal de banca.


Jornal da USP, Jornal da Unicamp, Jornal UFG e Boletim UFMG conseguem nos apresentar, a partir do que emerge de seus campi, reportagens de relevância cada vez menos encontradas na imprensa clássica. Histórias de impacto, fatos interessantes, personagens peculiares, acontecimentos curiosos, análises coerentes, relatos que informam de verdade estão presentes nas páginas (virtuais) desses periódicos.


Ao contrário do que pode soar, não se tratam de jornais de conteúdo meramente institucionais. O trabalho – jornalístico, na essência – de transformar em material de interesse público tudo o que se estuda, pesquisa, investiga nessas universidades é primoroso. Texto, fotos e outras formas de ilustração são linguagens muito bem agenciadas pelas equipes que tocam esses periódicos.


Outra característica é a diversidade de assuntos, que em nada a fica a dever dos diários tradicionais. Encontramos nesses jornais de universidades notícias sobre cidades, cultura, esportes, educação, saúde, meio ambiente, entre outras editoriais e suas derivações. A valorização de populações historicamente à margem da mídia tradicional também se faz recorrente.


Não se tratam, por outro lado, de periódicos que se dedicam ao factual. É justamente por isso, inclusive, que esses jornais se destacam ao preencher o vazio a que me refiro. Afinal, sobre o cotidiano, sobre o tempo real, há fartura na internet, em canais de televisão e emissoras de rádio.


O que foge à correria do dia a dia; o olhar mais apurado, paciente, analítico ao que acontece ao nosso redor, tudo isso que poderíamos encontrar no bom e velho jornal, porém não vemos mais, ou vemos pouco, esses periódicos que citei buscam contemplar.



Crédito:Arquivo Pessoal


*Wagner de Alcântara Aragão é jornalista e professor de disciplinas de Comunicação na rede estadual de ensino profissional do Paraná. Mestre em Estudos de Linguagens (UTFPR). Mantém um site de notícias (www.redemacuco.com.br) e promove cursos e oficinas nas áreas de Comunicação e Cultura, sobre as quais desenvolve pesquisas também.







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