“Já reparou como costuma segurar o celular?”, por Fernanda Iarossi

Opinião

Fernanda Iarossi | 17/03/2021 08:18

Normalmente, a forma mais confortável é na vertical. Certo? Como isso pode moldar estratégias jornalísticas voltadas para o mobile? Ao discutir essas questões em sala de aula, quase ninguém havia reparado que as telas dos smartphones e tablets encaixam-se melhor na posição vertical nas mãos. Isso não indica que nunca assistimos aos conteúdos das telas de tais dispositivos como na TV ou tela de cinema – na horizontal.


A partir desta provocação e depois de mais de um ano sobrevivendo com a pandemia do coronavírus, que levou muitos ao home office e ao isolamento/distanciamento, pensar nas narrativas verticais, tão comuns nos stories e webstories, parece ajudar a refletir sobre formas de contar histórias e fazer jornalismo na cultura digital.


Crédito:Reprodução


Depois de tantas lives, especialmente nas redes sociais digitais, olhar para a tela vertical parece tão familiar, tão instintivo que nos esquecemos do enquadramento corriqueiro a que estávamos acostumados com a tela retangular nas nossas salas de tv e no cinema… Quem se lembra do especial da Globo ensinando os espectadores a gravar vídeo com o celular deitado no projeto “Que Brasil Eu Quero”?


Agora com mais tempo trabalhando, estudando, buscando distração diante de telas, que não são apenas horizontalizadas, que tal pensar no jornalismo vertical, tão discutido desde anos atrás com a reportagem Snow Fall, do norte-americano The New York Times, um dos maiores marcos nas experiencias multimídia digitais?


Para inspirar formas, formatos, linguagens, vale observar jornais, revistas e portais que têm publicado esta estética verticalizada – histórias de vida, perfis, dicas, tira-dúvidas, lista dos desejos, curiosidades, passo a passo, etc.


Os stories visuais estão sendo publicados em diversos veículos como na Revista TRIP, Marie Claire, UOL Esportes, Folha de SP, TV Cultura e outros. Trata-se de pautas e editorias variadas para que eu, você ou qualquer um não precise “deitar” a tela e ficar mais e mais tempo mergulhado pelos cliques e toques digitais. Tudo pela audiência. 



Crédito:Arquivo Pessoal



*Fernanda Iarossi é jornalista e mestre em Comunicação Midiática pela UNESP – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Neto. Professora nos cursos de Comunicação da UAM – Universidade Anhembi Morumbi e Fapcom – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação em São Paulo. Coordena o Grupo de Pesquisa Discursos Midiáticos na Fapcom.







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