“Imprensa vai ter de assumir linha de frente no enfrentamento à segunda onda”, por Wagner de Alcântara Aragão

Opinião

Wagner de Alcântara Aragão | 02/12/2020 08:38

Se é ou não segunda onda – afinal, sequer saímos da primeira -, o fato é que o Brasil vai virar o ano enfrentando o agravamento da pandemia de covid-19. E, conforme noticiou este mesmo Portal Imprensa, o país é líder em desinformação.


No início da crise, foi constituído o “Consórcio de Veículos de Imprensa”, que assumiu o processamento de dados nacionais, dada à falta de precisão e transparência por parte do Ministério da Saúde, no exercício dessa função.


Diante da omissão do governo central em articular políticas de prevenção e combate ao novo coronavírus, é chegada a hora de os veículos de imprensa atuarem em novas frentes.


Seria louvável se, além da consolidação dos indicadores, o Consórcio de Imprensa passasse a exibir ou publicar peças de orientação e conscientização. Nas mais variadas linguagens – jornalísticas, didáticas e publicitárias – e formatos (impresso, audiovisual, multimídia).


Peças que reiterem a importância do uso da máscara, ilustrando sobre como deve ser esse uso; que clamem pela não promoção nem envolvimento em aglomerações; que instruam sobre a adoção de novos hábitos, adaptados à realidade excepcional. Seria muito importante vermos materiais assim no rádio, na televisão, nos jornais, nas revistas, nos portais e redes sociais.


Crédito:Marcelo Seabra/Agência Pará/Fotos Públicas
Atendimento a casos suspeitos de covid-19 na Policlínica Itinerante do Mangueirão, em Belém (PA)


Caminhamos para nove meses de pandemia, com mais de 170 mil vidas perdidas, e não há campanhas oficiais educativas, promovidas pelas autoridades federais competentes. Ao contrário. Não raro delas vem desinformação, quando não fake news mesmo.


Programas como o Plantão da Saúde, da TV Gazeta poderiam retornar à grade das emissoras. Mais curtos, quem sabe distribuídos ao longo do dia; sem alarmismos, nem abordagem político-partidária, para evitar ranços do público e garantir audiência e fazer a mensagem chegar e ser compreendida. Em retórica didática, sobretudo.


Ao mesmo tempo, atrações televisivas de entretenimento, variedades, entrevistas, mesas-redondas e similares precisam rever protocolos, dar melhor exemplo. Cada vez mais vemos abraços, beijos, apertos de mão, entre outros gestos que transmitem ao espectador a sensação de normalidade. Pessoas perto uma das outras. Gente indo ao ar sem máscara. Não dá.


O ano letivo de 2021 deve começar sem que possamos voltar com as atividades presenciais. A radiodifusão aberta seria instrumento fundamental para levar ensino a todo mundo, fazer parte de uma política educacional especial para esse período de restrições (e igualmente, nesse campo, há ausência absoluta do governo central). Deixo como gancho para artigo futuro.


Crédito:Arquivo Pessoal





*Wagner de Alcântara Aragão é jornalista e professor de disciplinas de Comunicação na rede estadual de ensino profissional do Paraná. Mestre em Estudos de Linguagens (UTFPR). Mantém um site de notícias (www.redemacuco.com.br) e promove cursos e oficinas nas áreas de Comunicação e Cultura, sobre as quais desenvolve pesquisas também.




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