Ministério da Justiça tira parte de campanha "Bebeu, Perdeu" do ar após críticas

Jéssica Oliveira | 05/02/2015 17:00
Uma peça da campanha #BebeuPerdeu, realizada no Facebook pelo Ministério da Justiça (MJ) para conscientizar jovens e adolescentes sobre o perigo de consumir bebidas alcóolicas, foi criticada nas redes sociais nesta quinta-feira (05/02). Após a repercussão negativa, órgão retirou peça do ar e pediu desculpas pelo equívoco.
Crédito:Reprodução
Após críticas de internautas, peça foi retirada do ar e Ministério da Justiça pediu desculpas
A imagem mostrava uma mulher preocupada segurando um celular, e outras duas, ao fundo, rindo dela. A cena era acompanhada pelos dizeres "Bebeu demais e esqueceu o que fez? Seus amigos vão te ligar por muito tempo" e a mensagem principal "Bebeu, Perdeu. Curta a vida sem beber".

O post recebeu centenas de críticas nos comentários. Para muitos, a peça culpa a vítima pelo que aconteceu a ela e legitima qualquer forma de abuso, como sexual. Internautas afirmaram ainda que a imagem reforça o "machismo", o "proibicionismo moralista" e não conscientiza, mas julga o jovem.

"Essa campanha é extremamente machista, admitam o erro, tirem isso do ar e se retratem imediatamente!", escreveu uma. "Repúdio por esta campanha que reprime, culpabiliza as vítimas, reforça os estereótipos e as violações de direitos", comentou outra.

Após a repercussão, o MJ retirou a peça do ar e publicou um pedido de desculpas. No texto, o órgão explicou o objetivo da campanha, afirmou que houve um equívoco com a peça e reforçou a sua atuação no combate à violência contra a mulher.

"A campanha #BebeuPerdeu é muito mais do que isso. Nós nos equivocamos com a peça. Ela tem o objetivo de conscientizar jovens até 24 anos sobre os malefícios do álcool. Atuamos em políticas públicas em conjunto com a Secretaria de Políticas para a Mulher (SPM) contra a violência doméstica, o feminicídio e outras formas de violência contra a mulher. Pedimos desculpas pelo mal entendido e ao mesmo tempo contamos com a colaboração de todos na campanha", diz o texto.

À IMPRENSA, Marcone Gonçalves, diretor de comunicação do MJ, contou que a interpretação dada pelos internautas é a prova de que a peça estava errada. "As pessoas interpretaram dessa forma. Isso é mais do que uma evidência de que nós erramos. Temos uma noção exata da responsabilidade. O MJ jamais entraria nessa linguagem de colocar a vítima como culpada", disse. 

Marcone ressaltou que o MJ  atua de forma permanente com políticas públicas para mulheres, com divulgação e apoio no combate a todos os tipos de violência sofridas por elas. "Tanto que as postagens que fazem mais sucesso no Facebook do MJ são sobre o combate da violência contra a mulher. É algo permanente", afirmou.

Sobre a peça, ele explicou que no dia anterior a imagem mostrava um menino passando mal por beber demais. A ideia, com o post destacando a mulher, foi equilibrar e mostrar que todos estão sujeitos aos efeitos nocivos do consumo de álcool. 

Para ele, a reação dos internautas, apesar de "exagerada", foi pertinente. A equipe de comunicação do MJ está interagindo e respondendo as críticas. "Estamos muito acostumados com o ambiente digital, especialmente o Facebook. Não vamos nos esconder", afirmou.

O jornalista disse que a campanha continua no ar, mas que todos as peças estão sendo revistas. "A mensagem para o jovem é curta a adolescência sem beber. Quem bebe e exagera na bebida não curte, adoece, passa mal. Perde a diversão", disse. "Pedimos que as pessoas vejam, participem e alertem os jovens. Não vamos desistir disso", acrescentou.

#BebeuPerdeu
A campanha #BebeuPerdeu foi criada em 2014 como parte das campanhas da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), vinculada ao MJ. Lançada no Carnaval do ano passado, ela era direcionada para adolescentes até 18 anos. Em 2015, a ideia é levar a mensagem para jovens de até 24 anos, e para outros grandes eventos além do tradicional feriado festivo.

Segundo Marcone, em 2014 a campanha foi responsável pelo aumento de 400 mil seguidores na página, a maior parte dentro da faixa etária alvo da iniciativa. A reação negativa causada à época foi em relação ao tom das postagens, considerado"liberal demais".

A ação foi criada pela agência SLA, a pedido do MJ. Marcone fez questão de destacar que a responsabilidade pela peça ter ido ao ar foi do órgão e não da agência.