Spacca adapta obra de Jorge Amado para quadrinhos e diz que charge depende da notícia para sobreviver

Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA | 21/08/2009 17:53

A adaptação do romance "Jubiabá", de Jorge Amado, para os quadrinhos, não poderia contar com outro nome além de João Spacca de Oliveira. Afinal, o cartunista e ilustrador já é autor de um livro no mesmo formato sobre a história de Santos Dumont e de outro sobre a chegada de Dom João VI e a Corte Portuguesa ao Brasil.

Spacca
Capa de "Jubiabá"

Formado em Comunicação Visual pela FAAP, Spacca começou sua carreira na agência de publicidade Young & Rubicam. Começou a trabalhar com histórias em quadrinhos de cinco anos para cá, depois de ter passado quase dez anos na Folha de S.Paulo, fazendo charges editoriais.

Com autoridade de quem tem experiência na área, ele afirma que a charge é o tipo de arte mais próximo do jornalismo. "A charge é um trabalho jornalístico, não tem como não ser. Ela até teria vida separada, pode não estar no jornal, mas para existir depende da notícia, e envelhece com ela também".

Spacca

Spacca tem um currículo diverso; já trabalhou com publicidade, animação, jornalismo, quadrinhos, livro didático, livro infantil, criação de personagens. E acredita que as novas tecnologias, como o Photoshop, podem ser benéficas para os artistas.

"Eu faço o meu trabalho de maneira tradicional, e a finalização pode ser ou não com o Photoshop. No entanto, o gesto é o mesmo de desenhar, e é ótimo pra facilitar as correções. Se bobear, ficou mais artesanal, porque o programa amplia os detalhes".

Spacca

Segundo ele, nunca foi tão fácil publicar quadrinho no Brasil como hoje. E um dos fatores que fomenta a produção são as compras governamentais. "As condições estão começando a existir cada vez mais. O nicho está quente agora, porque o governo tem se interessado por clássicos de literatura e temas históricos contados de uma maneira diferente. O quadrinho está renascendo. Mas não dá para encará-lo como hobby, porque senão, não evolui".

Editado pela Companhia das Letras, "Jubiabá" já foi lançado em São Paulo e na Bahia.

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