Inspetor da Fapcom desde sua fundação, Antenor conhece cada canto da faculdade

Alana Rodrigues | 22/06/2016 14:15
Quem chega à Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom), na Vila Mariana, bairro da zona sul da capital paulista, logo é recepcionado pelo sorriso de seu Antenor Carlos, 48, que, apesar da baixa estatura, não passa despercebido de quem visita o local. Envergando impecável terno preto, sapatos sociais, gravata vermelha e camisa branca bem engomada, não se cansa de dar boa-tarde e boa-noite durante o expediente cumprido das 14h às 23h.

O inspetor de alunos conhece cada canto da instituição mantida pelos padres e irmãos paulinos. Há 11 anos, acompanhou de perto as etapas da construção que deu forma ao espaçoso prédio de três andares da rua Major Maragliano. "Estava na terra ainda", relembra. À época, trabalhava como porteiro, contratado por uma empresa terceirizada, e ajudava a controlar a obra. Supervisionava o trabalho de 380 funcionários e repassava, diariamente, informações ao coordenador da edificação. Anotava tudo o que faziam os pedreiros, os pintores, os carpinteiros.
Crédito:alana rodrigues
Depois de ver o prédio ganhar vida, pouco antes da inauguração, passou a atuar como encarregado da segurança e da limpeza. Ao longo de três anos, conferiu o desempenho dos 18 empregados que atuavam nos dois setores. Cobrava zelo de todos e, se não gostava do serviço, logo dispensava o trabalhador. "Era bom e ruim. Ninguém gosta de ser cobrado, mas eu sou assim: gosto das coisas certas. Se a pessoa chegava atrasada, não fazia o trabalho direito, eu mandava recolher", explica. 

O empenho e a dedicação que demonstrou em suas atividades conquistaram a confiança do primeiro diretor, padre Manoel Quintado, que o convidou a permanecer na faculdade. Seu Antenor aceitou a proposta e, desde então, ocupa o cargo de inspetor de alunos.

Segue à risca a rotina há quase nove anos. A primeira coisa que faz ao chegar é entrar nas 40 salas da unidade para averiguar se estão limpas, se há cadeiras quebradas ou se os projetores estão ajustados. “Fico andando para lá e para cá”, diz ao mostrar o molho de chaves que carrega no bolso.

Ao longo do expediente, funciona como um "faz-tudo": vai aos correios e ao banco, leva e traz documentos para a secretaria etc. Quando o relógio bate 16h30, já tem em mãos a relação das salas de todas as turmas para afixar nos murais. Pouco antes do início das aulas, observa, atento, os professores que chegam à instituição. Marca o horário de entrada e saída de cada um. "Eles passam [a informação] para a secretaria, mas o que vale mais é a minha marcação. Podem ficar no corredor, conversando. O importante é entrar na sala. Não pode chegar atrasado. Se cobram aos alunos o cumprimento do horário, eles têm de dar o exemplo."

Seu Antenor também é responsável por bater o famoso sino, trazido diretamente do Vaticano, que avisa aos alunos o início das aulas, a pausa para o intervalo e o término das atividades. Adota técnicas especiais para que o soar da “relíquia” seja ouvido por todos. "Na entrada, eu vou à secretaria para os professores escutarem. E, para os alunos saírem, fico no terceiro andar porque o eco se espalha por todo o prédio.”

Reconhecimento

No vaivém pelos corredores, conversa com os alunos, professores e diretores. A interação também se estende para as redes sociais. Em sua página no Facebook, participa do grupo dos estudantes. Sempre deixa um bom-dia ou boa-noite e responde aos comentários que eles deixam em suas fotos, publicadas por ele com frequência. Ao parar de cumprimentá-los virtualmente, recebeu cobranças. “Já vieram falar que eu sumi”, diz, aos risos.

Certa vez, tentou acalmar uma aluna que discutia com um colega. Levou xingamento e ouviu palavrões. A jovem foi suspensa pela instituição por sete dias. Mais tarde, um pedido de desculpas pelo comportamento agressivo daria origem a uma amizade. No dia de sua colação de grau, a estudante se desculpou em público e agradeceu ao inspetor o apoio. A homenagem foi uma das cinco que seu Antenor já recebeu. “Sempre que fazem, subo no palco do auditório para pegar a lembrança que eles me dão. Ganho aquele canudo [de formatura]. Dentro vem uma caneta bem bacana, chique mesmo.”

“Ele está sempre alegre. Não tem tempo ruim. É um sobe e desce para atender os alunos e deixar as coisas em ordem. Por duas vezes, esqueci o celular na sala de aula e lá estava ele guardado com o seu Antenor”, lembra a estudante de jornalismo Andreia Pereira. Ao receber o chamado dos professores, logo se prontifica a ajudar. “Ele é proativo e sempre nos auxilia em tudo. Da manutenção dos elevadores à segurança do prédio, ele faz realmente de tudo. Cuida de achados e perdidos, faz a conferência de professores, ajuda a montar exposições, enfim, seu Antenor é figura importante para a faculdade, conhece todos os setores e todas as pessoas ”, afirma a professora Leslye Revely.

Curioso e “perguntador”, não considera a hipótese de seguir a carreira de jornalista. Se fosse escolher algum curso, faria Relações Públicas. "Seria bom para me relacionar melhor com as pessoas, né? A comunicação é muito importante. Não sei explicar direito, mas sem comunicação não existe nada. As pessoas precisam entender o que você está explicando."

As lembranças da primeira vez que viu estudantes pisarem na Fapcom ainda estão frescas em sua memória. Na data especial, acompanhou a visita de 320 jovens à instituição. “Marquei o nome de cada um nas minhas anotações. A inauguração foi linda”, recorda. A primeira turma das quatro graduações - jornalismo, publicidade, relações públicas e rádio e TV - reuniu 60 alunos. Hoje, são mais de mil. Mudar de emprego não está nos planos de seu Antenor, que assiste de perto ao crescimento da faculdade. “Tenho 26 anos de trabalho. Quero ficar aqui até me aposentar. Se eles me aguentarem até lá”, diz, bem-humorado.