Pela fresta da janela

Menina inquieta, Mônica Waldvogel enxergou no jornalismo o caminho para ver e entender o mundo que girava e acontecia além dos limites de seu portão

Thaís Naldoni* | 07/03/2012 11:22
Nos anos 1960, quando o Brasil entrava no período militar, uma menina, a mais velha de cinco irmãos, se inquietava por viver no que parecia o mundo perfeito. Paulistana, torcedora do Santos F.C. – a família tem um camarote na Vila Belmiro –, filha de um estudioso em filosofia, que trabalhava como bancário para o sustento da família, e de uma descendente de portugueses, com todas as características românticas e melancólicas de seus ancestrais, Mônica Waldvogel queria mais do que o conhecimento.

Queria estar do lado de fora do portão, vendo e contando ela própria a história. “Em casa, vivíamos em uma espécie de redoma de vidro. Éramos superprotegidos, no sentido de não sairmos para o mundo. Não tínhamos contato com o que de fato acontecia lá fora. Em paralelo, meu pai era um militante de esquerda, super a favor da democracia, contra a ditadura, e isso tudo me despertava ainda mais a vontade de saber como era do lado de fora”, conta.
Crédito:Alf Ribeiro

No início, a janela para o mundo foi aberta pouco a pouco pelos livros. Criança, devorou uma coleção de Júlio Verne e suas apoteóticas aventuras. Na adolescência, Roberto Freire foi o responsável por mais um vão. “ ‘Cléo e Daniel’ foi um livro que me deixou fascinada. Saber que existia um outro mundo, em que as pessoas experimentavam as coisas do sexo, das relações. De uma vida em que a rua vai levando, engolfando o jovem. Fascinante”.

Que a janela foi escancarada, não é novidade para quem vê a jornalista nas telas da televisão brasileira. Da menina curiosa e irrequieta a uma das profissionais mais respeitadas da mídia nacional, foi construído um longo caminho de estudos, dedicação, competência e uma vontade incontida de continuar a saber o que tinha para lá do seu quintal.

É uma das principais personalidades da grade da Globo News com o “Entre Aspas”, e há dez anos a marca do “Saia Justa”, no GNT. Foi repórter na TV Manchete; âncora do “Bom Dia São Paulo”, “Jornal Hoje” e “Jornal da Globo”, na emissora da família Marinho; âncora e repórter do “TJ Brasil”, no SBT e apresentadora do programa “Dois a Um”, também na emissora de Silvio Santos. Já na TV Record foi apresentadora do “Fala Brasil”.

Por tudo o que viu e contou em seus trinta anos de carreira, Mônica recebe o “Troféu Mulher IMPRENSA de Contribuição ao Jornalismo”, na oitava edição do “Troféu Mulher IMPRENSA”.

*Com Denise Bonfim

Leia a matéria completa na edição de março (276) de IMPRENSA.

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